Os motivos para a violência que assola a Turquia

O palácio governamental turco foi esta quarta-feira palco para mais um ataque, que incluiu uma explosão e vários disparos. Como resultado, um polícia sofreu ferimentos ligeiros, mas dois guardas foram salvos pelos vidros à prova de bala. Recorde-se que o palácio acolhe o gabinete do primeiro-ministro turco, Ahmet Davotoglu.

O governador de Istambul já esclareceu que os dois terroristas responsáveis pelo ataque já foram capturados. Suspeita-se que os dois homens estejam ligados ao Frente Revolucionária de Libertação do Povo (DHKP-C), grupo marxista radical a que são atribuídos vários ataques nos últimos anos, tendo como alvo principal as autoridades.

Estado Islâmico 3A Turquia enfrenta neste momento vários desafios no que toca a combater o terrorismo ou os obstáculos à segurança nacional. Se hoje terá sido o DHKP-C a causar os distúrbios, importa recordar que a dez de Agosto o país acordou com notícias de atentados por todo o país que causaram dez mortes no total e foram atribuídos a mais do que um grupo ou organização. Nesse dia, só em Istambul, houve dois ataques aparentemente sem relação entre si: o primeiro através de um carro armadilhado, contra as forças de segurança, e o segundo com um assalto sobre a embaixada dos Estados Unidos na parte europeia da cidade.

Ancara prepara agora estratégias para se defender tanto da ameaça do Estado Islâmico, que com o primeiro atentado na Turquia, no mês passado, fez 28 mortos e 100 feridos, como as ameaças do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, conhecido por PKK, ou do mencionado DHKP-C.

A violência na Turquia tem vindo a intensificar-se durante o último mês. Os números do Middle East Monitor dão conta de mais de 390 militantes do PKK mortos e 26 agentes turcos vítimas dos ataques curdos, para além do ataque do Estado Islâmico. No entanto, a situação parece estar a ser benéfica para o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP) do Presidente Recep Tayyip Erdogan: as sondagens indicam que se houvesse uma eleição neste momento, o partido registaria um aumento de quatro por cento dos votos que lhe daria a maioria absoluta. Esta subida dever-se-á à descida percentual registada nas intenções de voto dos partidos pró-curdos.

O primeiro-ministro já veio ressalvar que mais importante do que preparar estratégias eleitoriais é que os políticos assumam “uma posição comum em defesa da ordem pública e da democracia”.

Descomplicador:

A Turquia tem vindo a enfrentar, de há três semanas para cá, diversos ataques terroristas de militantes curdos, ativistas de extrema-esquerda ou terroristas do Estado Islâmico.

 

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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