Quem é Bernie Sanders, o candidato independente que enfrenta Hillary?

Hillary Clinton, na senda da tradição americana de famílias com vários membros envolvidos na política, tem sido vista como a principal candidata democrata para as presidenciais do próximo ano. No entanto, a popularidade de Hillary pode estar a sofrer com a ascensão de Bernie Sanders, também candidato à nomeação do Partido Democrata.

Mas quem é Bernie Sanders? O senador norteamericano que se descreve como o socialista anunciou a sua candidatura no passado mês de abril, com os objetivos de combater um sistema económico “imoral” que favorece os “multimilionários”: “99% da renda gerada no país vão para 1%, os mais ricos”. Sanders é também o membro independente do Congresso que mantém o lugar há mais tempo.

O senador inicialmente bastante desconhecido decidiu desafiar a favorita Hillary e tem sido aplaudido pela sua intervenção em tópicos como os direitos das minorias ou a causa feminista. Outras causas que têm sobressaído na campanha de Sanders são a desigualdade salarial, a preocupação com o ambiente, a subida do salário mínimo, e a redução do poder corporativo  nos Estados Unidos da América.

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A popularidade crescente de Bernie Sanders

O Panorama falou com Germano Almeida, autor da rubrica Histórias da Casa Branca na TVI24, sobre a ascensão de Bernie Sanders. Embora esta “subida galopante” do candidato não se possa ignorar, o especialista garante que Hillary não vai ser abandonada pelos democratas: “Hillary será a nomeada. Isto até pode ser bom para ela. O problema de Hillary foi ter começado tão à frente. É difícil, naquela dinâmica de nomeação disputada durante mais de um ano, gerir a ideia de já estar ganho durante muito tempo. Por isso, encaro com relativa normalidade que Hillary esteja a ter esta descida nas sondagens. Sinal que há sensibilidades e correntes nos democratas, dispostas a exigir, mais tarde, na eleição geral, que a nomeada também olhe para elas”. No entanto, há fatores em que Hillary sai a ganhar com larga vantagem: “a diferença de notoriedade, apoios, financiamento e máquina eleitoral nos diferentes estados é tão grande que Hillary vai mesmo ser a nomeada. No máximo, Bernie poderá ganhar um ou dois estados. Se o fizer, já será um feito. E talvez possa, com isso, ganhar espaço para poder ser o candidato a vice”. Importa ter em conta o que esta rivalidade pode significar na eleição presidencial: “Hillary é, no essencial, bastante à esquerda e terá, por certo, na eleição geral, todos os votos dos que agora apoiam Bernie”.

Germano Almeida acredita ainda que Hillary não terá de mudar substancialmente as suas estratégias para fazer face ao aumento de popularidade de Bernie. “Hillary já tem um plano económico, com sete ideias fortes, todas elas direcionadas para a classe média e os mais desfavorecidos, com um enfoque nos direitos das mulheres que queiram ter filhos; já tem posição sobre reforma da imigração”. O que é certo é que não deverá antagonizar os apoiantes de Bernie, se quiser contar com os seus votos na eleição contra o candidato republicano.

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O que separa e o que une Hillary e Bernie

Importante é, também, esclarecer em que diferem os dois candidatos da barricada democrata. “Bernie é mais anti-sistema, mais radical. Fala de forma mais clara e acirrada contra o «establishment» democrata. É mais crítico sobre os desempenhos de Obama e Bill Clinton, os últimos presidentes democratas, a quem acusa de não terem sido suficientemente duros na regulação e na supervisão bancária e do sistema financeiro”. Por outro lado, “Hillary não se consegue descolar da imagem de ser «do sistema». Fala para a classe média e para as minorias, mas fez parte do primeiro mandato de Obama, que em muitos aspetos pode ser considerado uma desilusão para a esquerda radical, que exigia maior dureza com «Wall Street» e com as grandes fortunas. Bernie arrasa a Dodd/Frank Bill (reforma financeira do primeiro mandato de Obama, aprovada no Senado), Hillary elogia-a; Bernie está contra o TPP (acordo comercial com o Pacífico, já assinado) e contra o TTIP (acordo com a Europa, ainda em negociações), Hillary, embora com algumas reservas, apoia os dois”. Nem tudo, no entanto, separa os candidatos. Germano Almeida enumera tópicos em que Hillary e Bernie estão de acordo:  Climate Change, acesso universal à Saúde, apoio à classe média, programas sociais, reforma fiscal, aumento do salário mínimo.

O balanço da campanha

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Tweet em que Bernie Sanders responde ao candidato Jeb Bush, que se mostrou contra os gastos em cuidados de saúde para mulheres.

Para o especialista, Sanders tem feito “uma campanha notável”. “Não tem hipóteses reais de chegar à Casa Branca mas tem, nestes meses, provado que a idade, a aparência ou o acesso aos financiamentos clássicos não são tudo. A sua campanha tem crescido em apoios, gera comício com 20/30 mil pessoas, o que para esta fase da pré-campanha é excelente”. No entanto, Germano Almeida deixa claro: “não considero que Bernie tenha hipótese de roubar a nomeação a Hillary. No máximo, poderá sonhar com um bom resultado nos estados de arranque, não sendo provável que consiga ganhar algum deles sequer”.

Descomplicador:

Bernie Sanders, senador independente no Congresso norteamericano, tem tido destaque na corrida às primárias do Partido Democrata. No entanto, Hillary continua a ser a favorita dos democratas para liderar os destinos do país.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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