Guterres critica actuação do Governo Húngaro

António Guterres afirmou que a crise de migração a que se assiste actualmente na Europa deve ter uma resposta colectiva, com base na solidariedade e questionou a posição do Governo Húngaro nesta temática. Em entrevista à CNN, o Alto Comissário das Nações Unidas para os refugiados mostrou-se preocupado em resolver o problema o mais rapidamente possível, de forma a que a Europa responda em uníssono a este problema.

António GuterresO ex-primeiro-ministro de Portugal foi questionado sobre uma imagem que está a correr mundo onde se pode ver o corpo de uma criança morta que acabou por dar à costa numa praia turca. A resposta foi curta: “reagi com uma terrível frustração”.  A imagem representa uma problema que tem atingido a Europa desde o início deste ano e para António Guterres os problemas legais têm de ser suplantados rapidamente: “Precisamos de avenidas legais para ir para a Europa, para ir para o golfo, onde eu estou agora, e para outros locais de forma a permitir que haja mais reinstalações, mais oportunidades de admissão”.

No meio da crise de migração, a Hungria tem vindo a reforçar a sua oposição à entrada de mais migrantes através de leis que prevêem bloquear o acesso à Europa e a construção de muros nas fronteiras do pais está a avançar com velocidade. Grande parte dos refugiados, provenientes da Síria, vê na Hungria um ponto de passagem para a Alemanha ou para a Áustria, mas as autoridades húngara impedem-nos de embarcara, deixando assim os migrantes à porta da estação de Budapeste sem qualquer tipo de ajuda local.

António Guterres garantiu que estão a ser feitos esforços para mudar a situação e reforçou que manter o facto de a Hungria manter esta posição não ajuda em nada a resolver o problema: “primeiro tentámos pedir autorização para providenciar assistência no terreno junto das autoridades locais. Este pedido até ao momento não foi aceite mas espero que a situação se altere. Depois deixámos bem claro que quando um Governo bloqueia a situação não resolve o problema e é por isso que precisamos de uma resposta colectiva”. O Alto Comissário da ONU vincou ainda que “as coisas como estão” apenas servem para “provocar junto das pessoas um dramático agravamento da situação.”

Depois de apelar a uma resposta colectiva e de tentar uma flexibilização por parte do Governo húngaro, Guterres relembrou que a comunidade internacional devia ajudar a superar a situação através da generosidade, ressaltando que até ao momento não foi alcançado sequer metade do financiamento necessário pedido pela ONU para fazer frente a este problema.

Descomplicador:

António Guterres, Alto Comissário da ONU para os Refugiados, apelou a uma resposta colectiva por parte de todos os governos europeus, assim como da comunidade internacional, para fazer frente à crise de migração. O ex-primeiro-ministro português criticou ainda a posição da Hungria, que tem bloqueado e dificultado o fornecimento de ajuda aos migrantes.

Publicado por: José Pedro Mozos

22 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Socia e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH - Universidade Nova de Lisboa. Foi comentador num programa da rádio da sua faculdade sobre actualidade política; editor de música da ESCS Magazine e escreveu para o site Bola na Rede. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, é jornalista na SIC Notícias.

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