Joana Amaral Dias posa nua: as reacções

A candidata pela coligação Agir, que junta o PTP e o Movimento Alternativa Socialista (MAS), Joana Amaral Dias, publicou ontem ao final do dia a capa da revista Cristina, onde aparece numa produção fotográfica ousada ao lado do seu namorado. A iniciativa, inédita em Portugal gerou as reacções mais divergentes nas redes sociais, e o parceiro de coligação, Gil Garcia, mostrou-se já descontente com a situação.

Joana Amaral Dias CristinaGil Garcia, cabeça-de-lista pela coligação Agir no Porto disse ao jornal Expresso estar incomodado, acrescentando “que desvia a atenção das questões magnas do país, como a dívida pública e o combate à austeridade”. Gil Garcia diz ainda que “no imediato, não é possível antecipar com clareza o seu efeito sobre o eleitorado”. Tanto Gil Garcia como Nuno Ramos de Almeida, nº2 de Joana Amaral Dias, não foram consultados sobre esta produção fotográfica.

Nuno Ramos de Almeida, que vai substituir Joana Amaral Dias no Parlamento caso a candidata seja eleita, foi no entanto mais compreensivo, publicando na sua página de Facebook que “olhando para a capa da revista não entendo a tempestade que levantou” acrescentando que só se tornou “matéria de política, não por causa de um suposto oportunismo da Joana se mostrar numa capa, mas pelas reacções padrecas que suscitou”. Para o editor-executivo do jornal i, “as nossas elites bem pensantes acham normal um jogador de futebol ou uma actriz aparecer numa produção fotográfica, porque são pessoas que supostamente estão numa categoria de sub-gente, mas uma mulher com actividade política e “intelectual” aparecer a expressar amor ou desejo, é pecado”.

O comentador politico e membro do LIVRE/Tempo de Avançar, Daniel Oliveira, publicou também no seu Facebook que “o problema não está em Joana Amaral Dias despir-se para uma revista, o problema é o vício de ser notícia ofuscar as convicções e a política transformar-se num circo estupidificante”, criticando ainda que “quem faz política sem qualquer esforço de implantação real (difícil, demorado e muitas vezes desmoralizador para novas forças políticas), apenas confiando na popularidade mediática, fica escravo da sua própria imagem”, deixando ainda o alerta de “não confundir peso mediático, tão fugaz, com peso político”.

Já o ex-Director de Informação da RTP, Paulo Ferreira recordou o episódio de Laura Ferreira, mulher de Passos Coelho, ter aparecido em público sem cabelo, dizendo que “há políticos que são capazes de tudo para conseguir votos. Até estarem, em locais públicos, ao lado da mulher de cabeça destapada”, acrescentando depois em tom mais sério que não tem problemas com a produção fotográfica, mas pedindo que “não me venham depois é com discursos moralistas sobre ética política e afins”.

Por fim, o deputado do CDS, Raúl Almeida, recuperou uma das bandeiras de Joana Amaral Dias, dizendo que “fiquei feliz por ver que não exerceu o seu inalienável direito ao aborto, essa via de libertação e progresso das mulheres emancipadas”.

Descomplicador:

Joana Amaral Dias despiu-se para a revista Cristina e provocou as mais diversas reacções no espectro politico português. O Panorama fez um apanhado das principais reacções, incluindo dos seus parceiros de coligação, Gil Garcia e Nuno Ramos de Almeida.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *