Quem é Viktor Orbán, o primeiro-ministro que anda nas bocas do mundo?

A crise humanitária dos refugiados tem desencadeado nos últimos dias uma avalanche de reações a nível internacional. Quem também tem feito correr muita tinta é Viktor Orbán, o primeiro-ministro da Hungria que afirmou ontem estar preocupado com a conservação das origens cristãs da Europa devido à chegada de refugiados muçulmanos.

Desde que Orbán ergueu um muro que impede refugiados de atravessarem as fronteiras do seu país que o governante é falado, mas esta não é a primeira vez que Orbán toma decisões controversas. O Panorama explica qual o trajeto do primeiro-ministro húngaro, recheado de polémicas.

phpThumb1. Em 1963, Viktor Orbán formou-se em Direito na Universidade Eötvös Loránd (ELTE), em Budapeste. Embora ainda vivesse sob o regime comunista da União Soviética, enquanto jovem universitário Orbán já se mostrava interessado na área da política: em 1988 fez parte da fundação da Federação de Jovens Democratas (Fidesz), uma organização de jovens intelectuais – até 35 anos – anticomunistas.

2. Em 1989, com o pluralismo político a ganhar terreno, o Fidesz crescia, enquanto Orbán assistia a conferências e palestras sobre o liberalismo britânico. O jovem político ganhou notoriedade aquando do seu emblemático discurso no enterro de Imre Nagy, morto na Revolução Húngara de 1956. No entanto, nas suas primeiras eleições, em 1990, o Fiedsz obteve um resultado de 8% e sagrou-se apenas como a quinta força política do país.

3. Em 1995, perante a necessidade de se definir ideologicamente e ganhar credibilidade, o Fidesz foi rebatizado como Partido Cívico Húngaro (Fidesz-MPP) e inclinou-se para o liberalismo, facilitando o diálogo com os partidos de direita húngaros. Assim, Orbán apresentou-se como parceiro de coligação do também liberal às eleições de 1998, que venceu. Até 2002, o governo liderado por Orbán manteve a Hungria economicamente estável. A política externa já era um fator problemático: durante o seu primeiro mandato como primeiro-ministro, Orbán pediu autonomia política para as minorias húngaras a viver noutros países da Europa Central e Leste. Também a recusa em condenar o regime de extrema direita na Áustria ou a sugestão de que a Hungria poderia guardar armas nucleares da NATO mereceu críticas do resto da Europa.

4. Após uns retumbantes 56,4% para o partido de Orbán nas eleições europeias de 2009, Orbán atacou a campanha para as legislativas do ano seguinte com confiança, e acabou por se sagrar vencedor. No discurso da vitória, o primeiro-ministro repetente anunciou uma “revolução” para a Hungria. A revolução de Orbán foi consolidada na Constituição de 2011, que foi a razão para a primeira vez que na História do Parlamento Europeu um estado-membro ser classificado como “estando em situação de incompatibilidade com os valores do Artigo 2 do tratado da União europeia”, que defende o respeito pela dignidade humana, democracia, Estado de direito, liberdade, igualdade e respeito pelos direitos humanos, “incluindo as pessoas oriundas das minorias”. Segundo o relatório que o eurodeputado português Rui Tavares fez na altura, “a lista das áreas em que a Hungria está em desacordo com os valores europeus é longa: o pluralismo, os direitos das minorias e dos direitos da oposição política, a independência das autoridades de proteção de dados, a independência do poder judiciário”.

5. Em abril de 2014, Orbán foi reeleito primeiro-ministro da Hungria, com 44,6% dos votos. Na altura, o candidato da aliança de centro-esquerda, Attila Mesterhazy, recusou-se a felicitar o vencedor por alegar que Orbán abusava “continuamente do poder” e que a Hungria não era “livre” ou “democrática”. No discurso de vitória, Orbán prometeu continuar a lutar para defender “os interesses nacionais e os valores cristãos”. Uma das medidas mais polémicas deste mandato foi a inclusão no Orçamento de Estado de 2015 de uma taxa sobre a utilização da internet, que foi apontada como uma forma de tentar silenciar os mais críticos.

 

Descomplicador:

A crise de refugiados tem trazido muita atenção ao primeiro-ministro húngaro. O Panorama traça o perfil do governante, do início da sua carreira à reeleição de 2010.

 

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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