Líder do PSOE quer ver reconhecida “singularidade” da Catalunha

Pedro Sánchez, secretário geral do PSOE, esteve hoje em Tarragona num almoço com 2000 socialistas catalães para lançar a pré-campanha das eleições catalãs de 27 de Setembro. Na sua intervenção, o líder socialista espanhol anunciou que pretende que se faça uma reforma federal na Constituição espanhola com vista a reconhecer a “singularidade” da Catalunha.

Aquilo que está em causa neste acto eleitoral não é apenas decidir quem será o próximo governo autonómico da região catalã mas também reforçar a posição perante a independência da Catalunha: a favor ou contra. Dentro de três semanas os catalães serão chamados a votar no próximo governo autonómico e a eleger os deputados do seu parlamento, mas a promessa feita por Artur Mas, actual chefe de governo catalão, que consiste em fazer da Catalunha uma nação independente, atribuiu a estas eleições uma enorme carga de importância. Os analistas espanhóis assim como os líderes políticos consideram, por isso, as eleições do próximo dia 27 de Setembro as “mais importantes da história da Catalunha”. Artur Mas chegou mesmo a dizer que o projecto que defende é o mesmo que aquele que levou a eleições no último dia 9 de Novembro, quando aconteceu o referendo sobre a independência da Catalunha. O presidente da Generalitat chegou mesmo a pedir que “aqueles que votaram sim e sim no dia 9 de Novembro” votem no seu partido dia 27 de Setembro.

O apelo feito hoje por Pedro Sánchez reflecte a estratégia do PSOE para estas eleições e que pode ser entendida como uma “terceira via”. Se por um lado os independentistas catalães apelam ao voto na lista conjunta da CDC (Convergência Democrática Catalã), de Artur Mas, e da ERC (Esquerda Republicana da Catalunha); por outro lado estão os defensores da política do PP, da Mariano Rajoy, que defende uma Espanha com comunidades autónomas dentro de uma só nação. O PSOE surge com uma posição algo distinta das anteriores: prevê reconhecer uma “singularidade” própria da Catalunha mas que esta região continue integrada na nação espanhola. Foi neste contexto que Pedro Sánchez apelou a uma reforma constitucional que reconheça essa mesma “singularidade” com base na “sua história, na sua língua e na sua cultura para alcançar um encaixe definitivo em Espanha”.

O líder do PSC (Partido Socialista da Catalunha), Miquel Iceta, reforçou esta ideia ao dizer que o objectivo é que a “Catalunha continue numa Espanha diferente”. Iceta acrescentou ainda que esta campanha “não é uma campanha do PSC ou do PSOE: é uma campanha socialista para a liberdade, fraternidade, igualdade e diversidade”.

A três semanas das eleições catalãs a expectativa é cada vez maior. Todos os partidos encaram com muita preocupação este acto eleitoral e exemplo disso mesmo é o facto de Pedro Sánchez ser parte integrante da estratégia para estas eleições, pois irá comparecer em sete actos da campanha apesar de não concorrer a eleições.

Descomplicador:

Pedro Sánchez, secretário-geral do PSOE, defendeu hoje, num almoço socialista em Tarragona, uma reforma constitucional em Espanha que reconheça a “singularidade” da Catalunha. Esta será a estratégia do PSOE e do PSC para as eleições catalãs de 27 de Setembro, que terão uma carga independentista fundamental para o futuro da região e de Espanha.

 

Publicado por: José Pedro Mozos

23 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH - Universidade Nova de Lisboa. Entre março de 2016 e junho de 2017 passou pela SIC Notícias. Faz parte da editoria de política da Revista VISÃO desde julho de 2017. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, faz parte do Conselho Editorial do Panorama.

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