Portas quer Sócrates fora da campanha

O vice-primeiro-ministro de Portugal pediu que se separassem os “casos judiciais” da política e afirmou acreditar “na separação de poderes”, pedindo assim aos militantes e comentadores do seu partido para não comentarem o caso de José Sócrates. O apelo foi feito hoje em Ofir, num discurso que serviu para encerrar a Escola de Quadros do CDS-PP, evento que marcou a rentrée política do partido.

Paulo PortasPaulo Portas quis assim reforçar a posição de afastamento do seu partido perante o caso de José Sócrates, que desde sexta-feira se encontra em prisão domiciliária em Lisboa. Apesar de alegar que os casos judiciais não devem interferir na campanha, o vice-primeiro-ministro não esqueceu que José Sócrates foi primeiro-ministro e político, e aproveitou para criticar o seu desempenho enquanto líder do executivo: “Fui porventura o deputado que mais oposição fez ao antigo primeiro-ministro. Achei que a sua política levaria Portugal à ruína – e levou mesmo”. Acrescenta ainda que lutar por uma vitória da coligação PSD/CDS-PP serve para evitar que “se repitam os mesmos erros, as mesmas causas e as mesmas consequências”.

Depois de mencionar o caso Sócrates e de pedir que não seja usado pelos membros do seu partido ao longo da campanha, Paulo Portas apontou o dedo ao Partido Socialista. Para o líder dos centristas, uma eventual vitória do PS nas próximas eleições legislativas significa a vitória de uma força política “que se radicalizou manifestamente”. Portas considera que a convicção dos socialistas de que se pode governar com acordos à esquerda não é viável, já que “nem o PC nem o Bloco aceitam o quadro europeu em que estamos integrados”. O vice-primeiro-ministro considera pois importante que voto recaia na coligação para que o país não entre “em rupturas dessa natureza ou convulsões dessa ordem”.

A sustentabilidade da Segurança Social foi outro dos pontos chave do discurso de Paulo Portas, que garantiu que apesar de a coligação querer cortar em 600 milhões o orçamento da Segurança Social não pretende fazê-lo através de cortes nas pensões. Nesta temática, o líder do CDS-PP voltou a criticar o PS ao considerar que a redução da TSU proposta pelos socialistas não é a melhor maneira de resolver  a situação.

Na sua intervenção, Portas não esqueceu a crise migratória, que afirmou ser “a maior crise humanitária que a nossa geração já viu” e apelou a uma resposta coordenada. O vice-primeiro-ministro alegou que os europeus devem “ser humanistas com os que esperam da Europa um sopro de vida com dignidade”.

Descomplicador:

Paulo Portas encerrou hoje em Ofir o evento que marcou o regresso do CDS-PP à vida política. Na sua intervenção pediu aos apoiantes do seu partido que deixassem o caso Sócrates de lado ao longo da campanha. Criticou ainda o Partido Socialista e apelou ao voto na coligação.

 

 

Publicado por: José Pedro Mozos

23 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH – Universidade Nova de Lisboa. Entre março de 2016 e junho de 2017 passou pela SIC Notícias. Faz parte da editoria de política da Revista VISÃO desde julho de 2017. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, faz parte do Conselho Editorial do Panorama.

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