Conselho Português para os Refugiados: “Refugiados serão mais valia”

Nos últimos dias, o assunto que mais debate tem provocado é a chegada de milhares de imigrantes à Europa e as quotas de refugiados que cada estado-membro deverá acolher. Depois de ter sido anunciado um número de 1500 refugiados a ser acolhidos por Portugal e de o ministro Adjunto, Poiares Maduro, ter revelado que o território nacional tem capacidade para mais, os últimos valores de que se fala são de 3000 refugiados. Dos indivíduos a acolher, 400 serão refugiados que chegaram a Itália, 1.291 à Grécia e 1.383 à Hungria.

A Câmara Municipal de Lisboa (CML) foi notícia neste processo, por ter tomado a iniciativa de criar um fundo de dois milhões de euros para apoiar os refugiados que chegarem à capital. O presidente da CML, Fernando Medina, esclareceu que as ajudas se vão concretizar em “alojamento temporário, alimentação, cuidados de saúde e cuidados de educação” e vão ser geridas com a colaboração de instituições como a Santa Casa da Misericórdia, a Cruz Vermelha ou o Conselho Português para os Refugiados.

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“Dois milhões de euros serão uma pequena parcela das necessidades”

Em declarações ao Panorama, o Conselho Português para os Refugiados (CPR) relembra que não é a primeira vez que a CML leva a cabo esforços no sentido de ajudar esta causa: “por exemplo, na génese da construção do Centro de Acolhimento para Crianças Refugiadas (CACR), no Parque da Belavista, em Lisboa, esteve todo o empenho do então Presidente da CML, António Costa”. Agora, face à crise migratória que se vive, o CPR elogia o trabalho da Câmara embora reconheça que não será suficiente, pois “face à dimensão da actual crise humanitária, dois milhões de euros, embora representem um esforço considerável da autarquia, serão uma pequena parcela das necessidades globais”.

O que poderá, então, fazer a diferença no acolhimento a quem chega a um país diferente em tantos aspetos? “É, principalmente, necessário o empenho de todos nós para bem receber, acolher e integrar as pessoas que buscam proteção no nosso país”. Até porque, relembra a instituição, a chegada de um número tão elevado de refugiados a Portugal pode trazer vantagens: “se quisermos, numa lógica estritamente financeira, se soubermos integrar corretamente essas pessoas, elas rapidamente se tornarão uma mais valia, sobretudo num país tão envelhecido como o nosso, contrariando a perceção errada de que constituem um fardo que temos que suportar por razões de caridade”.

Descomplicador:

Portugal pode vir a receber 3000 refugiados no seu território. Em declarações ao Panorama, o CPR relembra que este pode vir a ser um bom fator económico.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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