Refugiados: Orbán envia militares para a fronteira, Juncker pede “coragem coletiva”

A Hungria continua a dar que falar na sua abordagem ao problema dos refugiados. Desta vez, o Governo de Viktor Orbán decidiu lançar uma nova operação contra a entrada de novos refugiados no país, a que chamou Ação Decisiva. A iniciativa consiste no envio de 3000 a 4000 militares para a fronteira com a Sérvia até ao fim deste mês. Essa fração do exército estará encarregada de patrulhar a área e impedir os refugiados de a atravessar.

phpThumbO ministro da Defesa húngaro, István Simicskó, justificou a ação declarando que “as forças de defesa têm de ajudar quando a nossa pátria mãe está em apuros”. A demissão do antecessor no cargo deu-se esta semana, devido à insatisfação de Orbán em relação à demora na construção de um novo muro para a fronteira a Sul do país. O novo muro terá quatro metros de altura e 175 quilómetros de comprimento e reforça a rede de arame farpado que já existia na mesma zona. Até agora, foram detidas 3321 pessoas que tentavam passar pelas estruturas de segurança, numa altura em que a polícia húngara anuncia um número “recorde” de detenções.

Também o chefe do Estado-Maior húngaro, o general Tibor Benko, veio defender as novas medidas, explicando que o seu trabalho é “garantir a defesa da Hungria”.

“Está na hora de mostrar coragem coletiva”

Os exercícios militares na fronteira húngara surgem numa altura em que a Comissão Europeia toma posição na crise dos refugiados e responde com medidas concretas. Na passada quarta-feira apresentou as suas propostas, num documento em que se afirma que “o novo conjunto de medidas irá aliviar a pressão nos Estados-Membros mais afetados – nomeadamente a Grécia, a Itália e a Hungria –, propondo a recolocação de 120 000 pessoas com necessidade evidente de proteção internacional em outros Estados-Membros da UE”. Entre as propostas contam-se a de um mecanismo de recolocação permanente nos Estados-membros, a adoção de uma lista europeia comum de países seguros, ou o estabelecimento de um fundo fiduciário para África.

 O Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, falou sobre as novas medidas: «Nós, europeus, devemos conhecer e nunca esquecer a razão pela qual dar refúgio e respeitar o direito fundamental ao asilo é tão importante. É tempo de começar a assentar os pilares de uma verdadeira política europeia da migração, como já sustentámos em maio passado. As medidas que propomos hoje garantem que as pessoas com necessidade evidente de proteção internacional são recolocadas rapidamente após a chegada – não só neste momento mas também em eventuais crises futuras. Se há domínio em que a solidariedade europeia teve de se manifestar, foi o da crise dos refugiados. Está na hora de mostrar coragem coletiva e de dar agora uma resposta europeia.»

Descomplicador:

Numa altura em que a Comissão Europeia pede união e coragem aos Estados-membros, Orbán avança com mais medidas para travar a entrada de refugiados no país que governa, a Hungria.

 

 

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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