Comício do LIVRE/Tempo de Avançar: vontade de governar com PS

LivreAnfiteatro da Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa, 12 de Setembro, 17h00. Eram estas as indicações para que subscritores e membros da plataforma LIVRE/Tempo de Avançar se pudessem encontrar para realizar um Comício, precedido da II Convenção Cidadã. Este evento serviu para aprovar o programa da candidatura – na convenção – e para dar o tiro de partida da campanha eleitoral – no comício.

Depois de na parte da manhã o programa eleitoral ter sido aprovado e perante uma plateia cheia, a parte da tarde estava reservada para os discursos de vários cabeças de lista e do Mandatário Nacional da candidatura, José Mattoso. Muitos foram os candidatos presentes e outros tantos os cabeças de lista que intervieram. José Reis, cabeça de lista pelo círculo eleitoral de Coimbra, discursou sem marcar presença. Fê-lo através de uma carta que foi lida para um anfiteatro bem composto. Na mensagem que trazia, o professor da Universidade de Coimbra relembrou que é preciso lutar “contra a austeridade” tendo como base a própria “dignidade”. Os apoiantes que marcaram presença gostaram do que ouviram e aplaudiram a intervenção. Alguns chegaram mesmo a levantar-se sem saberem que essa seria a primeira de muitas vezes.

Seguiu-se “provavelmente a mais jovem candidata a um lugar na Assembleia da República” – pelo menos foi assim anunciada -, Sílvia Vermelho. A cabeça de lista pelo círculo de Viseu fez um discurso sem recurso a papel e arrancou uma das maiores ovações do evento levantando até os mais tímidos membros do público. Referindo-se a uma entrevista que dera esta semana e onde tinham destacado o facto de a candidata se sentir “zangada”, a cronista do Panorama aproveitou a deixa para alegar que “se a zanga nos faz mobilizar é a serenidade que nos faz construir”, recebendo em troca aplausos demorados e gritos de entusiasmo.

Livre Comício

José Mattoso foi chamado a palco para discursar, mas os longos aplausos que antecederam a chegada do professor ao púlpito fizeram com que antes de intervir confessa-se estar “emocionado” pela recepção vinda do público. O Mandatário Nacional da candidatura disse acreditar que é possível haver uma mudança e que é por isso que este evento e esta candidatura ocorreram: “estamos aqui porque queremos antecipar o futuro”.

Os quatro candidatos que se seguiram na lista dos participantes são as mais fortes apostas desta candidatura: Isabel do Carmo, cabeça de lista por Setúbal; Ricardo Sá Fernandes, cabeça de lista pelo Porto; e Ana Drago e Rui Tavares, numero dois e cabeça de lista respectivamente, por Lisboa. Houve um ponto comum nas intervenções dos quatro candidatos: o LIVRE/Tempo de Avançar está disposto a governar e quer dialogar com PS, Bloco de Esquerda e PCP para alcançar plataformas de entendimento que permitam “formar um governo de esquerda em Portugal”.

Isabel do Carmo reforçou a ideia de que a candidatura está disposta a fazer parte de uma eventual solução ao dizer que não vai “dizer mal dos outros partidos de esquerda durante esta campanha”. “Não contem comigo para isso”, concluiu perante uma plateia galvanizada e entusiasmada. Ricardo Sá Fernandes foi ainda mais claro: “queremos estar com o PS numa solução de governo (…) e convencer o BE e o PCP que é preciso sentármo-nos à mesa para dialogar e governar com o PS”. Apesar de ter admitido esta possibilidade e o desejo de fazer parte duma solução, o cabeça de lista pelo Porto, para rematar o discurso, avisou António Costa para não “trazer um Mesquita Machado para a mesa das negociações”.

Já Ana Drago começou por atacar Pedro Passos Coelho e Paulo Portas dizendo que “se tornaram comentadores, pois nada têm para apresentar ao país” e deixou um aviso aos dois governantes: “não se atrevam a tocar nas pensões”. Para Ana Drago já “há uma grande novidade: a direita já perdeu as eleições e haverá uma maioria de esquerda” no Parlamento. Na recta final daquele que terá sido o discurso mais aplaudido da tarde, a ex-deputada concluiu com um apelo aos partidos de esquerda: “Bloco de Esquerda, PCP e PS, compreendam a altura que estamos a viver”, concluindo que a candidatura pretende “tornar possível aquilo que é necessário”.

O última palavra teve-a o fundador do partido LIVRE, Rui Tavares. O historiador mostrou-se orgulhoso daquilo queComício Livre foi feito pela candidatura até agora – “que caminho magnífico!”, soltou – e discursou para fechar o comício. Rui Tavares começou por condenar as políticas do actual executivo manifestando vontade de “derrotar a direita” no próximo dia 4 de Outubro. O cabeça de lista por Lisboa tocou no tema dos debates para estender a mão aos partidos de esquerda: “A direita perdeu os debates porque temos camaradas, de outros partidos mas camaradas, que souberam representar bem os anseios dos portugueses”. “A esquerda tem muita gente boa e nós viemos acrescentar qualidade à qualidade”, acrescentou. Na conclusão da sua intervenção, Rui Tavares falou ainda da necessidade de “quebrar o sectarismo na esquerda em Portugal” e não esqueceu  tema dos refugiados: “são nossos irmãos e temos de lhes dar a mão”, disse.

Descomplicador:

Teve hoje lugar no anfiteatro da Faculdade de Medicina Dentária em Lisboa o Comício da candidatura LIVRE/Tempo de Avançar. Muitos cabeças de lista e candidatos marcaram presença e houve uma ideia transversal nos discursos que ocorreram ao longo do evento: a candidatura está disposta a fazer parte de uma solução de governo de esquerda com o PS, Bloco de Esquerda e PCP,

Publicado por: José Pedro Mozos

22 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Socia e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH - Universidade Nova de Lisboa. Foi comentador num programa da rádio da sua faculdade sobre actualidade política; editor de música da ESCS Magazine e escreveu para o site Bola na Rede. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, é jornalista na SIC Notícias.

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