Défice disparou e partidos já reagiram

O INE revelou hoje que o défice público de 2014 disparou para 7,2% devido ao adiamento da venda do Novo Banco, como o Panorama noticiou esta manhã. O aumento contrasta com a previsão os dados conhecidos em Abril, que apontavam para um défice a rondar os 4,5%. Esta derrapagem tem como o fundo o facto de os 4 900 milhões de euros que o estado usou para capitalizar o Novo Banco passam a figurar como transferência de capital, provocando assim o aumento verificado de 2,7%.

Em plena campanha eleitoral, Catarina Martins reagiu à informação e alegou que “hoje é o dia em que a campanha eleitoral da direita morreu” e afirma que “há duas mentiras que foram desmontadas” com os dados avançado pelo INE: “a primeira é que a austeridade daria resultado nas contas públicas” e a segunda prende-se com a resolução do BES e com o facto de o executivo de Passos Coelho “ter garantido que não ia custar um tostão aos portugueses”. Mariana Mortágua veio mais tarde reforçar a posição do Bloco de Esquerda dizendo que “a partir de hoje somos todos lesados de PSD e CDS-PP”.

António CostaO secretário-geral do PS viu nos números o espelho do programa da coligação e considera que são o reflexo de que o programa de PSD e CDS é “uma fantasia”. António Costa começou por afirmar que “pela boca morre o peixe”. Como prova, alega que até hoje “ninguém sério e responsável assinou por baixo a previsão do Governo” e conclui que o INE “veio desmascarar a mentira” que o actual executivo “quis construir” relembrando que com o aumento do défice para 7,2% o governo atingiu níveis próximos dos de 2011.

Já Jerónimo de Sousa vai mais longe e critica também o PS por ser cúmplice de uma política “que obedece à ditadura do défice e do Tratado Orçamental”. Para o líder comunista, os números reflectem “aquilo para que a CDU já tinha alertado”: as políticas da coligação “são um desastre nacional”. Jerónimo de Sousa avança mesmo que “depois de anos de cortes e de roubos” são “estes números são uma contundente prova” de que a política do Governo prejudicou o país.

Pedro Passos Coelho, questionado sobre esta matéria, respondeu que o dado avançado esta manhã pelo INE é apenas “um reporte estatístico”. O Primeiro-Ministro garante que o aumento do défice de 2014 não tem nenhum impacto sobre o défice deste ano ou sobre a dívida portuguesa. O Presidente do PSD disse mesmo que esta “contabilização estatística” não tem qualquer efeito no dia-a-dia dos portugueses.

Descomplicador:

O défice de 2014 disparou de 4,5% para 7,2% devido aos 4900 milhões que o estado investiu na recapitalização do Novo Banco. A informação avançada pelo INE marcou o dia de campanha eleitoral. À esquerda critica-se o governo por enganar os portugueses e por não ter conseguido acautelar esta derrapagem. O Governo garante que se trata de um mero dado estatístico, sem influência no dia-a-dia dos portugueses, que não obrigará a mais medidas.

Publicado por: José Pedro Mozos

22 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Socia e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH - Universidade Nova de Lisboa. Foi comentador num programa da rádio da sua faculdade sobre actualidade política; editor de música da ESCS Magazine e escreveu para o site Bola na Rede. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, é jornalista na SIC Notícias.

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