Esquerda ataca Governo em debate sobre o ensino superior

A Federação Académica de Lisboa promoveu na Quarta-Feira um debate sobre as perspectivas de futuro para o Ensino Superior. De um lado, Alma Rivera (PCP), Beatriz Goulart (PEV), Ivan Gonçalves (PS) e Mariana Mortágua (BE) atacaram a acção social e a falta de financiamento das instituições, enquanto do outro, Duarte Marques (a representação a coligação Portugal à Frente) defendia o trabalho levado a cabo nos últimos anos em especial…na área da acção social.

Debate ensino superior ISCTEO Partido Comunista e Os Verdes defenderam ambos o fim das propinas no ensino superior, defendendo Beatriz Goulart que “muitas empresas e associações continuam a pedir mestrados e a grande maioria não tem dinheiro para os pagar”. A questão da acção social foi talvez o tema dominante a par do financiamento das instituições de ensino superior. Ivan Gonçalves, em representação do Partido Socialista, defendeu um tecto máximo para as propinas dos mestrados, pedindo também financiamentos estáveis ao longo dos anos, situação que Duarte Marques disse ir ser corrigida no projecto lei que está “numa espécie de concertação social com os reitores”.

Ivan Gonçalves criticou ainda o facto de “ter sido com Governos de direita que as propinas mais aumentaram”, criticando a acção social, enquanto do lado oposto do painel, Duarte Marques encolhia os ombros, tendo dito mais tarde que “podem criticar o Governo em muito, mas não na acção social”, onde destacou a redução de critérios para a elegibilidade de alunos bolseiros.

Mariana Mortágua diz ter visto até coisas positivos na nova lei que está a ser preparada, mas criticou o facto de a acção social se limitar ao pagamento da propina, falando na acção social indirecta, como os passes, as residências, entre outros e lamentando que se entre numa “elitização do ensino superior e pior: os empréstimos para pagar os estudos”.

Para a deputada do Bloco de Esquerda, o facto de o rendimento médio ter descido também prejudica os beneficiários da acção social, com Alma Rivera, do PCP a dizer que “depois de cortar muito, repôr umas migalhas não melhora assim tanto”, dizendo ainda que as leis actuais “estão feitas para destruir”.

“Nenhum reitor vai achar que o que tem é necessário”.

Mariana MortáguaPara Mariana Mortágua, o facto de Portugal ter uma “dotação abaixo da média europeia, permite que se chame muita coisa ao ensino superior, mas não é publico e universal”, lamentando que as universidades e os politécnicos utilizem as propinas para pagar “o normal funcionamento das instituições”. O deputado do PSD, Duarte Marques disse acerca do financiamento que “ainda bem para muitas instituições que a lei não é cumprida porque senão a Universidade de Évora já tinha fechado”, falando nesse tal acordo que está prestes a ser selado e que prevê orçamentos plurianuais que permitem assim aos reitores gerir melhor os seus orçamentos.

Duarte MarquesDuarte Marques acrescentou ainda que “nenhum reitor vai achar que o que tem é necessário senão não tem ambição”, falando nos cortes no ensino superior nos governos PSD e PS e acrescentando ainda que “segundo as contas da Rita Rato (PCP) metade do ensino superior já tinha saído e isto assim não faz sentido”. Alma Rivera respondeu dizendo que “não há retórica que possa atirar areia para os olhos das pessoas”, com Ivan Gonçalves do PS a dizer que “o Duarte diz que os reitores dizem muita coisa mas eles acertam mais do que o Governo”, estando a “cronometrar o tempo até isto ser culpa de Sócrates”.

Mariana Mortágua terminou o debate com ataques ao PSD/CDS ao questionar se “todos os anos emitimos dívida para pagar juros mas nunca emitimos dívida para o resto, dizer que o Bloco vai aumentar dívida para pagar o ensino isso foi o que fez o PSD no geral e não pagou nada”.

O Panorama questionou ainda o Presidente da Federação Académica de Lisboa, André Santos Pereira sobre o facto de ter estado presente um representante dos Verdes e do PCP (coligação CDU) e apenas um da coligação Portugal à Frente, dizendo que foi por “mera opção”.

No balanço do evento, André Santos Pereira considera que “não obstante a transversalidade ideológica dos oradores, a necessidade de incremento ao financiamento das instituições foi uma consideração unânime”. O Presidente da Federação Académica de Lisboa considera que “este evento foi particularmente significativo para a academia de Lisboa, permitindo aos cerca de cem estudantes presentes contactar directamente com representantes das várias forças partidárias, permitindo-lhes exercer o seu direito de voto no próximo dia 4 de Outubro com maior conhecimento sobre as propostas de cada partido para o Ensino Superior e Ciência”

André Santos Pereira apela ainda ao voto no dia 4 de Outubro, “considerando fundamental que os jovens afluam significativamente às urnas”.

Descomplicador:

Duarte Marques (Portugal à Frente), Alma Rivera (PCP), Beatriz Goulart (PEV), Ivan Gonçalves (PS) e Mariana Mortágua (BE) debateram no ISCTE as perspectivas para o ensino superior, com a oposição a criticar a falta de financiamento das instituições e a acção social, e com o deputado Duarte Marques a defender os avanços do Governo nessa mesma área.

 

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *