Obama disposto a colaborar com Putin na Síria

Barack Obama discursou esta segunda-feira na Assembleia Geral da ONU e mostrou-se disposto a colaborar com a Rússia e Irão, que apoiam Bashar al-Assad,para encontrar uma solução para a Síria. O Presidente norte-americano reconheceu que terá de haver compromissos de parte a parte mas sublinhou a importância de existir uma transição para um governo sírio que não conte com al-Assad.

Neste evento da organização internacional, Obama mostrou-se aberto à possibilidade de dialogar par que se encontre a melhor solução possível mas não esqueceu que estados como os do Irão e da Rússia apoiam o Presidente Barack Obamasírio sob o pretexto “de não haver alternativa”. O chefe de estado norte-americano recusa aceitar este argumento, já que “de acordo com esta lógica, devemos apoiar tiranos como Bashar al-Assad, que lança bombas e massacra crianças inocentes, porque a alternativa é certamente pior”. Obama considera que esta posição não pode ser mantida sobretudo se quiserem contar com os Estados Unidos como parte da solução.

Há ainda um ponto que é do interesse comum de ambos os países: o combate ao Estado Islâmico. A Rússia apoia o esforço que está a ser levado a cabo pelo Presidente sírio e até já enviou armamento e aviões para apoiar o regime de al-Assad neste combate. Putin, no seu discurso neste evento internacional, afirmou mesmo que a Rússia considera “um erro enorme” não apoiar o combate ao Estado Islâmico que está ser levado a cabo por  al-Assad “com grande valentia”. Os Estados Unidos atribuem a culpa do início da guerra ao actual presidente sírio e pr esse motivo não podem apoiar uma solução que passe por apoiar al-Assad.

Um eventual acordo parece assim difícil de alcançar entre Rússia e Estados Unidos. O clima de tensão entre os dois países tem escalado nos últimos tempos. Os confrontos na Ucrânia começaram por extremar as duas parte e a anexação da Crimeia por parte da Rússia em 2014 polarizou ainda mais as posições. Seguiram-se as sanções económicas impostas pelos Estados Unidos e pelos seus parceiros europeus ao país de Putin. É neste contexto que a Síria oferece à Rússia a oportunidade de ter uma influência determinante no Médio Oriente e o Presidente russo vê com bons olhos esta posição do regime de al-Assad.

Devido a esta situação, os presidentes de ambos os estados têm evitado encontrar-se em reuniões internacionais. Há quase um ano que Putin e Obama não coincidiam no mesmo evento e há dois anos que não se reuniam formalmente. Ao longo desta segunda-feira os dois líderes vão manter ainda uma reunião à margem da Assembleia Geral da ONU.

A guerra civil na Síria dura há cerca de quatro anos e seis meses. Durante este tempo já provocou a morte de 200.000 pessoas e criou mais de quatro milhões de refugiados.

Descomplicador:

Obama discursou esta segunda-feira na Assembleia Geral da ONU e disponibilizou-se para colaborar com a Rússia e com o Irão para encontrar uma solução para a Síria. O Presidente norte-americano relembra a necessidade da existência de cedências e defende uma solução que afaste Bashar al-Assad do poder na Síria. No entanto, Putin não parece disposto a deixar de apoiar o Presidente sírio.

Publicado por: José Pedro Mozos

23 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH – Universidade Nova de Lisboa. Entre março de 2016 e junho de 2017 passou pela SIC Notícias. Faz parte da editoria de política da Revista VISÃO desde julho de 2017. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, faz parte do Conselho Editorial do Panorama.

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