Debate sobre economia culpa o Governo mas não esquece PS

“A coligação está orfã da troika”. A frase é de Mário Centeno e foi proferida esta terça-feira numa conferência sobre economia que teve lugar no ISEG, organizada pela Associação de Estudantes da instituição. Mariana Mortágua (BE) também marcou presença e criticou não apenas o Governo mas também o PS. Carlos Silva, que foi a voz da coligação PàF no debate, defendeu-se das críticas e apontou o dedo sobretudo aos socialistas. Já Duarte Alves, da CDU, expôs as propostas que os comunistas querem levar a cabo no próximo mandato.

Com o objectivo de promover um debate mais virado para a economia, o evento contou com a presença de representantes das forças com assento parlamentar e ainda com o economista Castro Caldas, representante do partido LIVRE/Tempo de Avançar.

Mariana MortáguaNum debate que se centrou na análise do estado actual do país mas que também visava discutir as soluções que cada partido leva no programa eleitoral para estas legislativas, foram muitos os temas abordados e não menos as críticas feitas a este Governo. Mariana Mortágua começou por questionar os números do desemprego: “não podemos acreditar que a taxa de desemprego seja apenas de 12% sob pena de chegarmos ao Governo e sermos surpreendidos pelos reais números”. Para a deputada do Bloco de Esquerda a situação do mercado de trabalho em Portugal é o reflexo das “imposições da Alemanha”. A jovem economista assegura mesmo que é preciso mudar de caminho e ser capaz de dizer que não se aceita “o modelo que nos estão impor”.

Em sintonia com Mariana Mortágua estava o professor e economista Castro Caldas: “é preciso tornar explicito o modelo de sociedade em que cada partido quer viver”. “Aquele famoso documento que foi escrito com um tamanho de letra muito grande [reforma do Estado apresentado por Paulo Portas] tinha um modelo de sociedade por trás”, continuou. O representante da candidatura LIVRE/Tempo de Avançar concluiu dizendo que sente “muita falta de que os partidos digam ao que vêm”, estendendo assim a crítica não apenas à coligação PSD/CDS-PP mas também aos restantes partidos.

Duarte Alves, membro da JCP e representante da CDU neste debate, apontou o caminho que o seu partido crê ser o mais indicado: “é preciso tornar o ensino superior acessível a todos” e lutar contra “os cortes deste Governo”. Para Duarte Alves “apoiar as pequenas e médias empresas através do desagravamento dos impostos e a subida do salário mínimo para 600 euros” são algumas das medidas que é necessário adoptar para “romper com a política que este Governo e os anteriores têm vindo a seguir nas últimas décadas”.

Já o representante da coligação PàF não respondeu directamente às críticas que foram apontadas mas relembrava que “é preciso continuar o caminho que o Governo começou a trilhar”. Carlos Silva quis ainda acalmar os presentes afirmando que com PSD e CDS-PP no poder “não vai haver mais cortes”, sublinhandoque foi o próprio Passos Coelho que o anunciou e lembrou que a coligação PàF pretende “começar a repor os cortes” que teve de impor. Carlos Silva apelou ainda ao voto na coligação para “continuar a recuperar a economia” do país.Mário Centeno

Mário Centeno, por sua parte, mostrou-se muito crítico para com a actuação do actual Executivo trazendo à memória dados como os da emigração ou do número de desempregados. O coordenador do cenário macroeconómico do PS referiu que “as importações estão nos níveis mais altos da história da economia em Portugal”. Mário Centeno criticou ainda o mercado de trabalho em Portugal e afirmou que o Governo de Passos Coelho não pode dizer “que não vai haver mais cortes” porque “foi assim que governaram estes anos”, concluindo que “a coligação de direita tem saudades da troika”. “Eles estão órfãos da troika”, disse.

Numa resposta a uma pergunta do público, Mariana Mortágua pôs em pratos limpos qual a posição do Bloco de Esquerda em relação à permanência ou saída do euro: “quero a saída? Não. Mas não quero o modelo que o euro está a construir”. Para defender esta posição Mariana Mortágua lembrou “o esmagamento a que a Grécia foi sujeita” por querer “seguir uma política de esquerda”. E concluiu reafirmando que o Bloco de Esquerda não quer este tipo de pensamento.

Descomplicador:

Teve ontem lugar no ISEG um debate sobre economia que contou com a presença de representantes de várias forças partidárias como Mário Centeno, Mariana Mortágua e Castro Caldas. O principal acusado ao longo da conferência foi o Governo mas os intervenientes não esqueceram o PS na hora de apontar o dedo.

Publicado por: José Pedro Mozos

23 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH - Universidade Nova de Lisboa. Entre março de 2016 e junho de 2017 passou pela SIC Notícias. Faz parte da editoria de política da Revista VISÃO desde julho de 2017. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, faz parte do Conselho Editorial do Panorama.

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