CUP sugere governo catalão com presidência partilhada

A proposta da CUP foi avançada pela número dois do partido, Anna Gabriel, e visa estabelecer um acordo com o movimento de Artur Mas, Junts pel Sí, para a formação de um governo catalão que assegure a transição para a independência da Catalunha. A sugestão do partido independentista catalão que elegeu dez deputados nas eleições do passado Domingo passa por formar um Governo que tenha três ou quatro figuras que tenham um peso equivalente, ou seja, retirar importância ao presidencialismo centrado apenas num actor político.

CUPDesde o início da campanha que a CUP afirma que não dará posse a um governo chefiado por Artur Mas. Dois dias depois das eleições, o líder do partido independentista continuava a afirmar que a CUP mantinha essa mesma posição: “começámos uma nova etapa e não podemos fazê-lo com a imagem dos cortes na Catalunha como Presidente”.

Com a proposta avançada esta manhã por Anna Gabriel, a CUP pode empossar um governo que conte com Artur Mas retirando-lhe ao mesmo tempo a possibilidade de ser Presidente. Ou seja, com esta iniciativa o partido independentista conseguia cumprir com a promessa de não tornar Artur Mas o próximo chefe de governo da Catalunha ao mesmo tempo que cedia À exigência do Junts pel Sí de integrar Mas no novo executivo da região.

Anna Gabriel esclareceu numa entrevista a uma rádio catalã a visão que a CUP tem perante o papel de Mas no próximo Governo: “ninguém falou de enterrar ninguém e não estamos a pedir a morte política de Mas”. E acrescentou que a intenção do partido é sim “discutir qual o papel que pode desempenhar”. Para a número dois da CUP, esta proposta garante também “um governo menos presidencialista” com uma “independência” mais acentuada e transversal.

As conversações entre a CUP e o Junts pel Sí foram encetadas nos últimos dias. Anna Gabriel disse ainda que a CUP que acelerar o processo para “criar um ponto de não retorno” no caminho para a independência antes das eleições legislativas espanholas que terão lugar em Dezembro deste ano.

A posição oficial do partidos será decidido nas reuniões marcadas para este Sábado. Ou seja, só a partir da próxima semana é que as negociações devem conhecer um maior avanço e de forma mais definitiva. Anna Gabriel sublinhou ainda a necessidade de se contar “com as mulheres” para o desempenho da chefia partilhada do executivo catalão.

Descomplicador:

Depois das eleições regionais catalãs do passado Domingo, vive-se agora um período de negociações na Catalunha. A CUP, partido independentista que elegeu dez deputados, tem um papel fundamental na definição do próximo Governo. Para garantir uma maioria absoluta e um executivo que assegure a transição para a independência, a CUP propõe que a chefia do próximo governo seja repartida por três ou quatro figuras e não recaia apenas sobre um Presidente.

Publicado por: José Pedro Mozos

23 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH - Universidade Nova de Lisboa. Entre março de 2016 e junho de 2017 passou pela SIC Notícias. Faz parte da editoria de política da Revista VISÃO desde julho de 2017. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, faz parte do Conselho Editorial do Panorama.

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