LIVRE encerra campanha com comício de sala cheia

Teatro “A Barraca”. Sala com capacidade para 140 pessoas. Por volta das 21h30 de ontem o espaço encontrava-se completamente preenchido: cerca de 25o pessoas fizeram questão de marcar presença para assistir ao comício de encerramento da campanha da candidatura LIVRE/Tempo de Avançar.

O evento foi conduzido por Solange F e por Pedro Vieira. Coube à ex-apresentadora da SIC Radical dar início ao comício e chamar o primeiro interveniente da noite, o professor José Reis, cabeça-de-lista pelo círculo de Coimbra. “Isto é bonito, isto é livre e aqui estamos!”, disse depois da calorosa recepção recebida por parte dos presentes. Na sua intervenção, José Reis elogiou os esforços feitos para “pôr a candidatura de pé e dar-lhe voz”, considerando que esta é a primeira vitória que se pode retirar das duas semanas de campanha.

José ReisNum discurso muito crítico para com a direita, que considerou estar “sozinha, derrotada e sem amigos”, o professor da Universidade de Coimbra apelou a um entendimento das forças de esquerda. José Reis disse mesmo que não entende “como é possível a esquerda não compreender a urgência dos tempos que vivemos”. No fim da sua intervenção a plateia levantou-se e gritou, pela primeira de muitas vezes, o nome da candidatura.

Pedro Vieira fez a ligação entre José Reis e Isabel do Carmo, cabeça-de-lista por Setúbal, que foi recebida com o público de pé a gritar “Isabel! Isabel!”. Ao longo do seu discurso a própria candidata interrompeu-se algumas vezes para apelar aos gritos de apoio ao partido. Numa intervenção mais virada dentro, a médica destacou o facto de a candidatura ser a “única que se bate verdadeiramente por uma alternativa de esquerda”. Mas a tónica também se centrou no apelo ao voto no partido LIVRE/Tempo de Avançar. “Não é preciso ter medo nem vergonha”, disse. Isabel do Carmo voltou a levantar a plateia depois de concluir o seu discurso e de afirmar que este é “o partido da esperança, o partido do futuro”.

Seguiu-se um vídeo de Ricardo Araújo Pereira a apoiar a candidatura e declarar que no próximo domingo votará no LIVRE/Tempo de Avançar por preferir o “sectarismo à convergência”. Numa nota de humor, acrescentou ainda que sempre tinha querido “votar num partido que tem uma barra” e arrancou gargalhadas dos presentes.

“A direita vai perder e Portugal vai ganhar”

De Ricardo em Ricardo foi Sá Fernandes quem se encarregou de dar seguimento ao comício. Num dos discursos que mais galvanizou a plateia, o cabeça-de-lista do Porto chamou “incompetente” a Paulo Portas e acusou Passos Coelho de ter mentido ao longo destes quatro anos. Para Sá Fernandes, o Primeiro-Ministro português “fez-se de sonso” e agora “usa a apologia do medo” para voltar a ganhar. Para contrariar esta tendência, o cabeça-de-lista pelo Porto afirmou que a direita estava derrotada e apelou à união da esquerda: “A direita vai perder e Portugal vai ganhar”. E seguiu: “temos a obrigação histórica de nos entendermos. Não esquecemos a debandada da esquerda mas também nos lembramos dos méritos de PS, PCP e Bloco de Esquerda”. Sá Fernandes terminou apelando mais uma vez ao voto no partido LIVRE/Tempo de Avançar.

O comício estava a animar os espectadores e os intervenientes, que por diversas vezes se levantavam e gritavam o nome do partido em uníssono. Se isto era assim a esta altura, mais ficou depois de Ana Drago ter discursado. “Esta sala está quente!”, disse assim que chegou aos microfones. A ex-deputada começou por mostrar-se orgulhosa pela campanha feita e por agradecer o apoio dos que ajudaram a construí-la. Depois desta introdução, Ana Drago começou, no seu estilo acutilante, a atacar a direita portuguesa e garantiu que o partido irá “defender o país da direita revanchista que quer destruir Portugal”. E continuou: “para a direita acabou!”. A plateia já estava galvanizada e assim seguiu ao longo do discurso de Ana Drago, que criticou o estado do país e pediu aos partidos de esquerda para “mostrarem que aquilo que disseram ao longo dos últimos quatro anos é verdade, de forma a não ajudar a direita a governar”.

A ex-deputada estava a chegar ao fim da sua intervenção e por isso fez um último apelo: “Quem quer mesmo tornar a direita numa minoria absoluta tem de tornar o seu voto útil. E o voto útil passa aqui, no LIVRE/Tempo de Avançar!”, concluiu Ana Drago antes de abandonar o público debaixo da maior ovação da noite.

Orgulho, inquietude e responsabilidade

Rui Tavares foi o encarregado de fechar o comício. “Ao ver esta sala cheia só posso sentir orgulho”, começou porrui tavares dizer. Destacou as dificuldades pelas quais a campanha passou e valorizou as surpresas que proporcionou e acrescentou: “esta campanha foi feita por uma coisa: amor pelo país”. Foi assim que arrancou os primeiros e longos aplausos da sua intervenção, que foram seguidos por gritos de apoio. Num discurso em que destacou três sentimentos – “orgulho, inquietude e responsabilidade” – o líder do partido quis passar uma mensagem simples: “é preciso que a esquerda se entenda para os tirar de lá”. E acrescentou: “a direita só parará com as suas políticas no dia em que a esquerda estiver pronta para governar. E esse dia tem de ser a próxima segunda-feira”. No fim do seu discurso, Rui Tavares anunciou que “o novo chegou para ficar” e abandonou o palco com gritos de “liberdade, liberdade!” vindos da plateia.

No fim do evento e em declarações exclusivas ao Panorama, Rui Tavares confessou que “apesar dos temores que todas as campanhas sentem, nunca houve dúvidas de que a nossa candidatura chegaria a todo o país” e mostrou-se orgulhoso por tal feito. O líder do partido afirmou ainda  que uma vitória para a candidatura será “eleger um grupo parlamentar, seja de que tamanho for” no próximo Domingo. Questionado sobre uma eventual derrota nas eleições, Rui Tavares foi contundente: “não imaginamos essa possibilidade e por isso não especulamos sobre ela”.

Descomplicador:

O comício de encerramento da candidatura LIVRE/Tempo de Avançar teve lugar ontem, quinta-feira. no teatro “A Barraca” em Lisboa. Com uma sala completamente cheia, o evento contou com as intervenções de José Reis, Isabel do Carmo, Ricardo Sá Fernandes, Ana Drago e Rui Tavares. Em todos os discursos se apelou a uma esquerda unida e se criticou o actual executivo.

Publicado por: José Pedro Mozos

23 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH – Universidade Nova de Lisboa. Entre março de 2016 e junho de 2017 passou pela SIC Notícias. Faz parte da editoria de política da Revista VISÃO desde julho de 2017. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, faz parte do Conselho Editorial do Panorama.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *