Militantes sem cargos. O que os motiva e o que encontraram nas ruas durante a campanha

Na vida politica muitos acusam os participantes activos de procurarem um emprego. Nas juventudes partidárias essa acusação é ainda mais frequente. O Panorama falou então com dois militantes base, ou seja, militantes sem qualquer tipo de cargo nas estruturas que integram. Cecilia Loya, da Juventude Comunista Portuguesa (apoiante da CDU) e António Seixas, militante da Juventude Popular de Lisboa (apoiante da PaF) falam do que os motivou e o que encontraram nas ruas.

JCP JPCecília Loya, militante da JCP e activista da JCDU, diz ao Panorama que “num momento em que se agrava a situação de vida dos jovens, depois de ultrapassarmos as várias barreiras que nos são impostas, como os exames nacionais e os elevados custos do ensino superior, o nosso futuro no mundo do trabalho é quase certo, desemprego ou precariedade”, acreditando assim que “a necessidade de mudar, de que este não seja o meu futuro certo, mas que também não passe pela emigração forçada, motiva-me a falar com outros, a esclarece-los e a tentar fazê-los críticos da situação”, justificando assim o facto de realizar quase diariamente campanha pela coligação entre o PCP e o Partido Ecologista Os Verdes.

A militante da Juventude Comunista Portuguesa acrescenta ainda que “esta é a única força que está ao lado da juventude e dos trabalhadores (grupo em que me incluo mesmo desempregada), em defesa de um futuro digno, que o demonstra nas suas propostas, que são o resultado não só da campanha eleitoral, mas de um trabalho diário de intervenção junto da juventude”.

Cecilia Loya considera que as pessoas têm demonstrado abertura às propostas da CDU, revelando no entanto que algumas questionam se é possível a “gratuitidade da escolaridade obrigatória” e o “fim das propinas no ensino superior”, revelando que “na maioria dos locais dizem que somos a única força política que ali esteve, sobretudo disponível para conversar e ouvir”.

Já António Seixas, militante da Juventude Popular de Lisboa, diz ao Panorama que a sua principal motivação é “o dever de o fazer não só pelo meu futuro mas também por não querer que os sacrifícios feitos por todos tenham sido em vão”, acrescentando que “a coligação é a única solução viável para continuar nesta senda de recuperação e crescimento económico”.

Nas ruas, António Seixas revela que “muitas pessoas sentem que a coligação Portugal à Frente é a única solução de confiança” e que “durante as acções de rua muitas pessoas, de todas as idades, vêm ter connosco a manifestar o seu apoio e a sua preocupação com com as propostas inconsistentes da oposição”. O militante centrista acrescenta que também “encontramos alguns descontentes”, mas diz que “é por eles que vamos todos os dias para as ruas: para os tentar esclarecer e informar”.

O prazer do esclarecimento e de trabalhar em equipa

Legislativas 2015A militante comunista revelou que se deparou com uma enorme percentagem de indecisos que “ainda assim dizem que é necessária a mudança”. Numa campanha onde contactam com milhares de eleitores e outros ainda não eleitores, Cecilia Loya contou que “numa escola secundária, nuns três grupos, abordámos para entregar o documento da Juventude CDU. A resposta inicial foi “não queremos” perguntámos o motivo. Como não tinham idade para votar não lhes interessava. Explicámos então que estas eleições são para a Assembleia da República e que é a partir dos 230 deputados eleitos, que é eleito o Primeiro-Ministro e daí o Governo e disso estão dependentes: os exames nacionais e o seu peso; a escola ter verba para pagar a conta da luz e podermos no inverno ligar os aquecedores; o refeitório manter-se público, pagarmos um preço justo e termos comida de qualidade; haver dinheiro para fazer obras na escola ou para financiar visitas de estudo”, revelando que após esta explicação “em todos os grupos a conversa terminou com “então deixem o papel que queremos ver”.

Durante os quinze dias oficiais de campanha, António Seixas, da JP de Lisboa disse que “nas ruas estamos sempre sujeitos à espontaneidade das pessoas e isso também faz parte e, por conseguinte são varias as historias caricatas que guardo na memória”, destacando no entanto “o trabalho desenvolvido com a grande equipa da JP Lisboa, os dias todos que passámos a percorrer o distrito juntamente com os candidatos e com a JSD”.

Cecilia Loya espera assim no Domingo ver um “grande resultado eleitoral, com um crescimento da representação da CDU no Parlamento”. Já para António Seixas um bom resultado é “a eleição da coligação Portugal à Frente para mais uma legislatura com uma maioria estável que permita que os próximos quatro anos sejam de crescimento e de prosperidade”.

Descomplicador:

O Panorama falou com Cecilia Loya e António Seixas, militantes base da JCP e da JP para saber o que os motivou a fazer campanha durante quinze dias e o que encontraram nas ruas de Portugal, tendo ambos participado pelo desejo de “um Portugal melhor”.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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