António Costa assume responsabilidades mas não se demite

antónio costaO clima no Altis antes da chegada de António Costa era de tensão. Os cumprimentos que se trocavam na plateia não deixavam esconder o desalento que sentiam os socialistas na noite de ontem. “Como é que é possível?” ou “olha, agora é esperar que ele não se demita” eram alguns dos comentários que se trocavam em surdina enquanto se aguardava pela intervenção do secretário-geral do PS.

Pouco passava das 22:30 quando o líder socialista saiu do elevador. Foram muitos os aplausos que se fizeram ouvir e outros tantos os gritos de apoio que receberam António Costa nesta noite eleitoral. O apoio dos socialistas fez-se ouvir durante longos segundos mas tinha chegado a altura de a derota ser assumida. Começou com os habituais agradecimentos aos que ajudaram ao longo da acamoanha e da preparação para as legislativas de 2015. Com especial menção para os militantes e jovens socialistas, o secretário-geral do PS não esqueceu o esforço feito para chegar a “uma vitória que não foi alcançada”.

De seguida, António Costa foi directo ao assunto: “O PS não alcançou os objectivos e eu assumo por inteiro a responsabilidade olítica e pessoal pelo resultado do PS”. Nesta altura os socialistas na sala temiam que a demissão do seu líder estivesse perto de ser anunciada. Ouvia-se “não! Não!”. Costa foi obrigado a acalmar os presentes e apelou para que tivessem calma, pois no final iriam “acabar por dizer sim”. Ao escutar esta afirmação a sala levantou-se e aplaudiu efusivamente o ex-presidente da Câmara de Lisboa.

No Sana, onde a coligação PàF acompanhava a noite eleitoral, o discurso de António Costa estava a ser seguido atentamente por todos. Foram ainda bastantes aqueles que pediram a demissão líder socialista ao longo do seu discurso.

Antes de responder a perguntas dos jornalistas, António Costa assegura que “ PS fará tudo para cumprir o seu mandato” e aponta quatro objectivos essenciais para levar a cabo esse mandato: “virara a página da austeridade e mudar a estratégia”; “defender o estado social”; “investimento na ciência e inovação”; e a12087443_10153638273907453_1900332906_ninda “devolver a esperança aos portugueses, por um melhor para Portugal”.

Estava na hora de responder aos jornalistas. A primeira frase de António Costa foi contundente: “manifestamente
não me vou demitir”. A plateia voltou a levantar-se e celebrou com gritos de apoio, que fizeram o líder socialista esboçar um largo sorriso ao ver a sala, cheia, demonstrar tanta alegria para com a decisão.

Questionado sobre se iria aceitar o repto lançado pelo Bloco de Esquerda de não viabilizar um governo de direita, Costa afirmou que “o PS não contribui para maiorias negativas que coloquem obstáculos”, acrescentando que o partido respeita “a vontade dos portugueses” mesmo quando não indica aquilo que o PS desejaria. Num apontamento direccionado aos eleitores que não corresponderam ao pedido do chamado “voto útil”, António Costa questionou a eficácia dos partidos em quem esses eleitores confiaram: “existiram muitos eleitores à esquerda que entenderam mais eficaz votar noutros partidos do que no PS. O futuro o dirá se foi mais eficaz”.

Numa ronda de respostas que se pautou por incluir algumas notas de humor e boa disposição, António Costa respondeu a uma pergunta final com uma frase que deixou uma garantia aos socialistas: “ninguém pode contar com o PS para viabilizar politicas contrárias aquelas que apresentamos”.

Descomplicador:

António Costa falou para uma sala cheia no Altis, o quartel-general do PS em noites eleitorais. O líder socialista assumiu as responsabilidades pelo mau resultado e garantiu que não se irá demitir do cargo de secretário-geral do partido.

Publicado por: José Pedro Mozos

23 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH - Universidade Nova de Lisboa. Entre março de 2016 e junho de 2017 passou pela SIC Notícias. Faz parte da editoria de política da Revista VISÃO desde julho de 2017. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, faz parte do Conselho Editorial do Panorama.

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