Cavaco Silva convidou Passos Coelho para tentar acordo governativo

Cavaco SilvaO Presidente da República falou esta terça-feira aos portugueses para anunciar que convidou Passos Coelho para tentar encontrar acordos para formar um Governo. Cavaco Silva anunciou que o líder da coligação PàF ficou encarregado de “constituir uma solução governativa que assegure a estabilidade política e a governabilidade”. Em causa estava a análise dos resultados das eleições legislativas do passado domingo.

O Chefe de Estado acrescentou ainda que o futuro executivo deve dar “garantias firmes de respeitar os compromissos internacionais historicamente assumidos” assim como “as grandes opções estratégicas adoptadas pelo país desde a instauração de regimes democráticos”.  Sem o dizer explicitamente, Cavaco Silva excluiu assim a hipótese de tanto Bloco de Esquerda como a CDU poderem vir a fazer parte de uma solução governativa, bem seja através de acordos ou da formação de um governo.

Numa declaração que teve lugar às 20h15 desta terçafeira, o Presidente da República fez uma análise dos resultados eleitorais das legislativas deste domingo e insistiu na ideia de ser formado um governo “estável e duradouro”. Para tal, Cavaco Silva disse que “cabe aos partidos revelar abertura para o compromisso” de forma a facilitar esse entendimento.

Reacções dos partidos

Nas reacções a esta declaração, os partidos à esquerda do PS criticaram a posição assumida por Cavaco Silva. A voz Mariana Mortáguado Bloco de Esquerda foi Mariana Mortágua, que considerou que esta intervenção serviu apenas para pôr “pressão” sobre os partidos “para a direita formar Governo”. A deputada bloquista afirmou ainda que “não cabe ao Presidente da República condicionar programas de futuros Governos”. Mariana Mortágua considera que tanto PSD como CDS saíram fragilizados das eleições e criticou Cavaco Silva por indicar Passos Coelho para formar Governo sem ter ouvido os restantes partidos.

Na mesma linha está a CDU, que também questionou o facto de o Chefe de Estado não ter ouvido todos os partidos antes de indigitar Passos Coelho a tentar acordos governativos. João Oliveira, do PCP, concluiu que “não cabe ao Presidente, mas sim aos partidos políticos, criar condições para um novo Governo”. O deputado comunista acrescentou ainda que Cavaco Silva “está a passar por cima dos partidos” e acusou-o de estar “a procurar insistir na perpetuação da política que vinha sendo executada pelo Governo”.

Já do lado da coligação PàF, tanto CDS-PP como PSD entendem que o Presidente da República fez uma leitura correcta dos resultados eleitorais. João Almeida, do CDS-PP, considera que Cavaco Silva fez a leitura correcta dos resultados: “a comunicação do senhor Presidente da República vem no sentido em que o CDS interpreta o que foram os resultados eleitorais. Houve uma vitória clara da coligação Portugal à Frente, o que faz com que esta coligação tenha a responsabilidade de gerar uma solução de Governo”. O deputado centrista anunciou ainda que há “bons sinais do PS também dessa disponibilidade para algo que é essencial”.

O vice-presidente do PSD, Marco António Costa, também vê nas palavras do Presidente da República a leitura correcta dos resultados. O porta-voz do partido reforçou a ideia de existirem “pontos de convergência que permitam a construção de uma solução negociada para uma estabilidade política do próximo Governo”. À margem do Conselho Nacional do PSD, Marco António Costa anunciou ainda que Pedro Passos Coelho prevê contactar o líder socialista para assegurar a estabilidade governativa da próxima legislatura.

O Partido Socialista, a esta hora, ainda não reagiu às palavras do Presidente da República.

Descomplicador:

Cavaco Silva falou esta noite ao país para anunciar que tinha delegado em Pedro Passos Coelho a responsabilidade de procurar acordos que permitissem criar uma solução de Governo estável e duradouro. Os partidos já reagiram. À esquerda critica-se o facto de o Presidente da República não ter ouvido todos os partidos antes de tomar a decisão. À direita os partidos estão de acordo com a leitura dos resultados feita por Cavaco Silva.

Publicado por: José Pedro Mozos

22 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Socia e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH - Universidade Nova de Lisboa. Foi comentador num programa da rádio da sua faculdade sobre actualidade política; editor de música da ESCS Magazine e escreveu para o site Bola na Rede. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, é jornalista na SIC Notícias.

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