Derrota do PS abre hostilidades dentro do partido

A derrota eleitoral do Partido Socialista na noite de 4 de Outubro abriu no PS uma “guerra” que começou por ser fria mas que tem vindo a aquecer nas últimas horas/dias. A ala mais afecta a António José Seguro deu já sinal de si, com Álvaro Beleza à cabeça, mas também o seu ex-chefe de gabinete, Rui Prudêncio, que falou ao Panorama.

Partido Socialista PS

1 – Álvaro Beleza e Eurico Brilhante Dias abrem as hostilidades poucos minutos depois da reacção de António Costa

Logo na noite eleitoral, Álvaro Beleza e Eurico Brilhante Dias, que durante as eleições disse ao jornal i preferir António José Seguro como candidato a PM, pediram que o partido reflectisse profundamente sobre os resultados alcançados nestas legislativas.

Álvaro Beleza lembrou a questão das Europeias, pedindo assim uma “clarificação em relação ao que aconteceu”, pedindo a realização de um congresso extraordinário do PS, afirmando que “a comissão politica é poucochinho para analisar a situação”, em referência à expressão utilizada por António Costa quando se lançou à liderança do partido.

Eurico Brilhante Dias, conselheiro económico de Seguro disse que “existe uma tendência clara de derrota” e que todos os resultados “têm uma leitura politica”.

2 – Outros elementos ligados a António José Seguro começam a reagir ao longo da noite

Outros elementos ligados à liderança “segurista” começam a reagir ao longo da noite. João Ribeiro, ex-porta-voz de Seguro disse no seu Facebook que “cada voz do PS que se cale perante este exercício de cinismo e de alienação estará a condenar o PS a uma irrelevância dificilmente recuperável”, pedindo minutos antes a demissão imediata de António Costa.

Também Miguel Laranjeiro disse ao Observador que “um Secretário-Geral que vença umas eleições deve ficar na liderança”, fazendo a leitura em sentido inverso. José Junqueiro disse também ao mesmo jornal que “António Costa interrompeu um ciclo em nome de um sucesso maior: a vitória do PS e um PS unido”, algo que não se veio a verificar. O ex-assessor de Seguro, Luis Bernardo, classificou também esta derrota de “humilhante”.

Vieram também de algumas distritais ligadas a António José Seguro, criticas a António Costa e pedidos de demissão do Secretário-Geral do partido.

3 – António Galamba endurece o discurso

Horas mais tarde, ainda na noite de Domingo, António Galamba, ex-membro do Secretariado Nacional de António Costa e actual membro da Comissão Politica do PS, endureceu o discurso para com António Costa, afirmando que o Secretário-Geral teve uma “atitude criminosa” para com o PS e para com o país.

António Galamba diz ainda que “apesar do esforço dos militantes e dos simpatizantes na campanha eleitoral, o Dr. António Costa falhou os dois objectivos que motivaram o assalto à liderança do PS”, referindo o falhanço na “unidade do partido e na conquista de uma maioria absoluta”. Para António Galamba “não é normal o PS não ganhar estas eleições”, criticando ainda o facto de António Costa ter interrompido “um ciclo eleitoral de duas vitórias nacionais do PS, nas autárquicas e nas europeias”.

antónio costa

4 – Álvaro Beleza lança candidatura própria e ex-Chefe de Gabinete de Seguro mostra disponibilidade

Álvaro Beleza, que na noite eleitoral tinha atacado António Costa, disse no dia seguinte estar disponível para concorrer à liderança do PS caso “não existisse ninguém melhor”. O médico diz que “ser Secretário-Geral do PS não faz parte do meu projecto de vida”, mas mostrou-se disponível para avançar caso não existissem outras candidaturas de outras linhas que não a de António Costa. Para Beleza, uma recandidatura de Costa é a única forma de “relegitimar” o actual líder.

Entretanto, Rui Prudêncio, ex-Presidente da Federação Distrital do Oeste do Partido Socialista e ex-Chefe de Gabinete de Seguro enquanto Secretário-Geral mostrou vontade de avançar à liderança do partido, afirmando segundo a Renascença que Álvaro Beleza não representa todos os apoiantes de Seguro. Ainda assim, ao Panorama, Rui Prudêncio diz que “o PS tem um líder que apesar de ter perdido as eleições não se demitiu por isso não está aberto nunhum espaço para eleições internas”, acrescentando assim que não é “candidato a um lugar que está preenchido” e que fará nova avaliação quando o lugar for colocado à disposição por António Costa.

5 – Francisco Assis vem apelar à calma

Entretanto Francisco Assis, que é desejado pelos apoiantes de António José Seguro para concorrer à liderança do partido, pediu para que “não se façam avaliações extemporâneas” e que qualquer escolha de um novo líder deverá ser realizada apenas após as eleições Presidenciais, que devem agora “ser o foco do Partido Socialista para que se conquiste uma vitória”.

Já depois das declarações de Assis, Álvaro Beleza pediu que a legitimação de António Costa seja feita “nas mesmas condições com que foi para o poder”, ou seja, através da realização de eleições primárias, admitindo no entanto que a escolha se faça apenas após as Presidenciais.

6 – Partido Socialista reúne hoje

Até ao momento já se entendeu que existem duas correntes de opinião, ou até mesmo três, dentro do Partido Socialista: a manutenção de António Costa, a demissão imediata de António Costa e a marcação de congresso e ainda a convocação de congresso apenas após as Presidenciais.

A Comissão Politica do PS reúne esta Terça-Feira, 6 de Outubro a partir das 21h30 e deste encontro serão retiradas as primeiras conclusões oficiais.

Descomplicador:

O Partido Socialista está em “ebulição” desde a divulgação dos resultados das legislativas. Os apoiantes de António José Seguro vieram já pedir a demissão de António Costa, mas só a reunião desta noite vai permitir conhecer uma primeira posição oficial.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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