Pedro Magalhães diz que “apesar de tudo resultados das sondagens resistem”

A fiabilidade das sondagens era também um dos grandes motivos de interesse destas eleições legislativas. Depois do caso no Reino Unido e depois do PS ter passado de uma posição de vencedor para derrotado, as sondagens passaram a estar na mira da maioria dos partidos, à excepção da coligação que ocupava o primeiro lugar. Segundo o investigador e especialista em sondagens, Pedro Magalhães, no seu blog, “a verdade é que os resultados resistem”, no rescaldo destas eleições.

Pedro MagalhãesPedro Magalhães considera no seu blog profissional que “pelo menos a duas semanas das eleições, as sondagens já traçam relativamente bem o quadro geral daqueles que acabam por ser os comportamentos dos eleitores, e muito mais nas últimas sondagens antes da eleição”. Para o investigador do Instituto de Ciências Sociais, “telefones fixos? Baixas taxas de resposta? “Direita tímida”? Late swings? Abstenção diferencial? Amostras pequenas? Tudo isso é potencialmente importante e importa considerar, mas a verdade é que os resultados resistem”.

O investigador na área da Ciência Politica e dos estudos de opinião refere ainda as tracking polls que nesta campanha estiveram em particular destaque, dizendo que “são sondagens como outras quaisquer, que sobrestimam os problemas resultados da utilização de telefones fixos sem perceber que enviesamentos sociológicos não têm de ser enviesamentos políticos, que valorizam excessivamente mudanças e diferenças que não têm significado estatístico”, acrescentando que “se concentram sobre a dimensão das amostras sem perceber que o tamanho não é tudo”.

Em jeito de conclusão, Pedro Magalhães adianta ainda que irão surgir duas conclusões acerca das sondagens para estas eleições: “que as sondagens mediram correctamente as intenções de voto e que os resultados o reflectem” e uma outra, “que as mediram incorrectamente e que foram os resultados que as sondagens deram que “manufacturaram” os resultados”.

Quanto à teoria de que as sondagens possam ter manipulado os resultados, Pedro Magalhães refere que “essa evidência é, lamento, nula”, mas referindo ainda assim que “não quer dizer que não tenham existido efeitos”. O investigador diz que “até meados de Setembro, a maioria dos portugueses pensava que o PS ia ganhar, e que a partir daí passou a haver uma maioria dos portugueses a pensar que a coligação ia ganhar”, acreditando ser “impossível que essa mudança de percepção tivesse ocorrido sem as sondagens”.

Pedro Magalhães acredita ainda que “a possibilidade de que essa percepção tenha mudado intenções e comportamentos, que tenha afectado a capacidade de mobilização e a coesão dos partidos e/ou que tenha modificado a cobertura da campanha não pode de todo ser descartada”, mas afirma que “é preciso investigar em que direcções esses efeitos terão ocorrido, e se houve uma direcção predominante”.

Descomplicador:

O investigador Pedro Magalhães publicou já no seu blog as conclusões das sondagens para as legislativas dizendo que “apesar de tudo os resultados resistiram” e lançando um conjunto de questões que podem surgir no futuro para debate sobre estes estudos de opinião.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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