Homem forte de António Costa com medo da “pasokização” do PS

Porfírio Silva, um dos homens fortes de António Costa no Partido Socialista e responsável pela comunicação do partido, escreveu hoje no seu blog pessoal, Machina Speculatrix que “se o PS for dolosamente responsável pela continuação deste governo, o prognóstico é duro mas é claro: o PS vai “pasokar”, em referência ao que aconteceu ao Pasok, “partido-irmão” do PS na Grécia e que praticamente desapareceu.

Porfirio Silva - PS

Porfirio Silva – PS

O Secretário Nacional do PS e agora eleito deputado por Aveiro diz que “uma forma de deixar um partido morrer simultaneamente por razões internas e por razões externas é deixar que o partido perca a sua autonomia estratégica, a sua capacidade para prosseguir os seus próprios fins nos seus próprios termos, nos tempos ditados pela vida política real”.

Num texto dividido em cinco pontos, Porfírio Silva diz que escreve sabendo a sua posição dentro do PS, transformando o seu artigo numa “espécie de declaração de voto” quanto à posição tomada na Comissão Politica Nacional do PS.

No segundo ponto, Porfírio Silva afirma então que “uma forma clássica de matar um partido é permitir que ele deixe de representar aqueles que prometeu representar”, acrescentando que “nas eleições de domingo passado, nenhum eleitor votou no PS para dar continuidade a este governo”. Para um dos homens de confiança de Costa, caso o PS dê seguimento ao Governo PSD/CDS, “seremos reduzidos à insignificância dos partidos que se separam dos seus eleitores e que, enredando-se em justificações mais ou menos artificiosas para tentar esconder a sua deslealdade aos que prometeram representar, são descartados como inúteis”.

Porfírio Silva acrescenta ainda em jeito irónico que “a nossa única glória será linguística: introduzir na língua portuguesa um novo verbo: Pasokar”, mudando rapidamente o tom para dizer que “o PS não existe para inovar linguisticamente, existe para representar os portugueses que se identificam com a esquerda democrática e com as soluções social-democratas para a crise que vivemos”.

O Secretário Nacional do Partido Socialista defende assim a tentativa do PS tentar formar Governo com o PCP e o Bloco de Esquerda, testando as suas intenções de governação com reuniões formais ao mais alto nível, defendendo que quando a direita apresentar o seu programa de Governo, o PS deve estar em condições de apresentar uma “moção de censura construtiva”, com possibilidades de formar um Governo à esquerda.

Radicalização do PS é culpa da crise

Partido Socialista PSAinda segundo o filósofo que recentemente lançou o livro “Cadernos de Tóquio”, o Partido Socialista sofreu com os anos de crise uma “radicalização de uma parte do nosso eleitorado”, querendo assim os eleitores que o PS “seja mais vociferante contra a situação”. Apesar de no mesmo texto defender que só a moderação do PS lhes permitiu ser “o partido charneira” na democracia portuguesa, agora o Secretário Nacional entende que existiu uma radicalização do eleitorado.

Porfírio Silva defende assim que “está na altura do PS se libertar desse condicionamento [arco da governação], assumindo que todos os votos de todos os eleitores são igualmente legítimos e que todos os partidos com representação parlamentar têm responsabilidades face à governação do país”, deixando ainda críticas a Cavaco Silva pela atitude “partidária” que tem tido.

Descomplicador:

Um dos homens fortes de António Costa, Secretário Nacional do PS e recentemente eleito deputado por Aveiro defende que o Partido Socialista deve tentar um Governo à esquerda, admitindo que o eleitorado do PS se radicalizou com os anos de crise e acreditando que a viabilização do Governo PSD/CDS transforma o PS no Pasok.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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