Coligação e PS distanciam-se. Discursos endurecem de parte a parte

Os discursos entre os dirigentes da coligação PSD/CDS e o Partido Socialista começaram a endurecer durante o dia de Quarta-Feira, com Pedro Passos Coelho a dar o tiro de partida para esse afastamento. Entretanto Sérgio Sousa Pinto falou publicamente pela primeira vez desde a sua demissão do Secretariado Nacional do PS.

Passos recusa mais reuniões do “faz de conta”

Passos Coelho Portugal à FrenteO líder do PSD disse hoje à saída da reunião da Concertação Social que se recusa a voltar a reunir com o Partido Socialista, dizendo que “já tive duas e não tenciono ter mais reuniões a fazer de conta”, criticando seriamente a postura de António Costa e do PS nos encontros entre os três partidos.

Passos Coelho disse ainda esperar que seja a coligação “que seja indigitada para formar Governo, respeitando obviamente as competências do Presidente da Republica”. O ainda Primeiro-Ministro em funções acrescentou ainda que ” tempo de dizer, de forma audível, que o PS perdeu as eleições” e que por isso deve assim “encarar com humildade o resultado”.

O Presidente do PSD disse ainda que o Partido Socialista não deu nenhum contributo nas duas reuniões e que a coligação PSD/CDS “não vai governar, com certeza, com o programa do Partido Socialista, nem sujeitar o país a uma espécie de chantagem política em que quem perdeu impõe condições a quem ganhou”.

Sérgio Sousa Pinto ataca acordo com a esquerda

Sérgio Sousa PintoO ex-Secretário Nacional do PS, Sérgio Sousa Pinto disse esta manhã que ao fazer um acordo com o PCP e com o Bloco, o Partido Socialista “está a oferecer uma maioria absoluta à direita, que a vai manter por muitos anos”. Na sua página do Facebook, Sousa Pinto disse ainda que “não lhes interessa [ao PCP e ao BE] partilhar o fardo de governar”, mas sim terem “um governo fraco do PS, para derrubarem quando for oportuno”.

O ex-Secretário-Geral da Juventude Socialista recordou ainda que “a direita terá a sua maioria absoluta. Que guardará por muitos anos. Enquanto o país se lembrar dos tempos que estamos a viver”. O deputado socialista recordou por fim, o facto de “o Partido Comunista Português ter combatido o PS, sem desfalecimento, de 1974 até à semana passada. Censurou e derrubou governos socialistas e não votou a favor de um único orçamento apresentado pelo PS, em quatro décadas”.

António Costa falou ao Financial Times

António CostaEntretanto o Secretário-Geral do PS, António Costa deu uma entrevista ao Financial Times, onde diz que este pode ser um momento histórico na politica portuguesa, comparando o acordo entre o PS, PCP e Bloco com a queda do muro de Berlim.

António Costa diz que está preparado para liderar um Governo anti-austeridade, respeitando os compromissos internacionais do Euro e da NATO. António Costa diz ainda que “não estamos a fazer bluff, estamos a agir de boa fé”, dando a entender que as negociações com a esquerda têm mesmo com objectivo formar um Governo.

O Secretário-Geral do PS quis ainda descansar os parceiros internacionais, dizendo que o Partido Socialista é o partido “mais pró-Europeu em Portugal” e que o PCP e o Bloco de Esquerda concordaram em construir um programa de Governo conjunto que respeite todos os compromissos internacionais.

Descomplicador:

Pedro Passos Coelho endureceu o discurso esta manhã recusando-se a reunir novamente com o PS em “reuniões do faz de conta”. Entretanto António Costa continua a dar entrevistas a meios de comunicação internacionais, enquanto Sérgio Sousa Pinto voltou a criticar a estratégia do PS.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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