Rui Rio fora da corrida a Belém

O ex-Presidente da Câmara Municipal do Porto anunciou hoje a sua desistência de uma candidatura presidencial. Num artigo de opinião publicado no Jornal de Noticias, o economista diz que “neste contexto de crise politica” seria a melhor pessoa para assumir o cargo, mas coloca-se à margem de uma candidatura.

Rui RioRui Rio começa por lembrar que sempre guardou uma decisão definitiva para depois das eleições legislativas de 4 de Outubro, reafirmando também que um regresso seu à politica activa só se daria com condições para poder conduzir uma reforma do regime, que tem vindo a defender há várias anos, segundo palavras suas.

Assim e devido aos resultados de 4 de Outubro que ditam uma “situação politica instável”, Rui Rio diz que “neste enquadramento, a margem de manobra para um presidente da República conseguir, através da sua magistratura de influência, unir os partidos e a sociedade em torno de reformas estruturais que considero essenciais, está notoriamente diminuída”, factor que o leva a recuar na sua intenção.

Rui Rio vai ainda mais longe neste ponto e acrescenta que “se tal (reforma do regime) se mostra muito dificilmente exequível no enquadramento que as circunstâncias políticas nos ditaram, então outros portugueses haverá com aptidões mais adequadas do que as minhas para o exercício da função, em registo ou registos diferentes do meu”, deixando assim espaço aberto para os candidatos que já se apresentaram e outros que eventualmente surjam.

O ex-Presidente da autarquia portuense diz que o que está em causa é “a própria lógica do exercício do cargo sem as condições fundamentais para o levar a cabo de acordo com o meu próprio projeto presidencial”, dizendo que nunca pensou “ser presidente da República só por o ser”.

No entanto, Rui Rio coloca também a responsabilidade da sua desistência na opção do PSD e do CDS não o apoiarem oficialmente, ao dizer que “e se, nesta matéria em concreto, a minha visão não é coincidente com a das direções nacionais dos partidos de que estou ideologicamente mais próximo, cabe-me respeitá-la e assumir que, assim sendo, a minha motivação para prestar este serviço ao país não chega, por si só, para justificar uma candidatura que, neste capítulo concreto, só fazia sentido se houvesse a mesma visão dos dois lados”.

O economista que é muitas vezes apontado como o sucessor de Pedro Passos Coelho no PSD diz ainda que lançar uma candidatura com base no Porto seria uma tarefa extremamente complicada, agradecendo no entanto a todos os que contribuíram para que o lançamento da sua candidatura fosse exequível nos últimos meses.

Com esta declaração de Rui Rio, a ala direita fica agora com o caminho aberto para a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa.

Descomplicador:

Rui Rio colocou-se à margem da corrida a Belém, dizendo que com a actual situação politica não conseguiria executar o seu mandato de reforma do regime. O ex-Presidente da Câmara do Porto lamentou ainda que as direcções do PSD e do CDS não lhe declarassem apoio neste sufrágio para Presidente da Republica.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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