Cavaco indigita Passos. Esquerda recusa. Internet reage

O Presidente da Republica, Aníbal Cavaco Silva indigitou ao inicio da noite Pedro Passos Coelho, presidente do PSD como Primeiro-Ministro, tornando assim o líder da coligação Portugal à Frente o responsável por formar Governo e apresentar um programa à Assembleia da Republica que tomará posse amanhã. A esquerda veio já reagir a esta indigitação com o PS a dizer que não aprovará o programa do Governo da direita.

Cavaco SilvaCavaco Silva lamentou que “num tempo em que importa consolidar a trajetória de crescimento e criação de emprego e em que o diálogo e o compromisso são mais necessários do que nunca, interesses conjunturais se tenham sobreposto à salvaguarda do superior interesse nacional”, lembrando ainda que “nos 40 anos de democracia portuguesa a responsabilidade de formar Governo foi sempre atribuída a quem ganhou as eleições” e utilizando essa tradição histórica, lembrando o último Governo de José Sócrates, para justificar a indigitação de Passos Coelho

Ainda assim, Cavaco Silva deixou vários recados e críticas aos partidos da esquerda, recordando que “fora do euro futuro de Portugal seria catastrófico” e que “este é o pior momento para alterar radicalmente os fundamentos do nosso regime democrático, de uma forma que não corresponde sequer à vontade democrática expressa pelos portugueses nas eleições do passado dia 4 de outubro”.

Numa mensagem em que enviou também um recado aos mercados e às instituições financeiras, Cavaco Silva terminou colocando as responsabilidades sobre os deputados relembrando que “é, pois, aos deputados que cabe apreciar o programa do Governo que o primeiro-ministro apresentará à Assembleia da República no prazo de dez dias após a sua nomeação. É aos deputados que compete decidir, em consciência e tendo em conta os superiores interesses de Portugal, se o Governo deve ou não assumir em plenitude as funções que lhe cabem” e concluindo afirmando que “o Presidente assumiu a sua responsabilidade. Cabe aos deputados assumirem as suas”.

Esquerda já garantiu reprovar programa do Governo

Os partidos da esquerda, a começar pelo Partido Socialista através de João Soares garantiu que a decisão do Presidente da Republica “faz o país perder tempo” e que é uma decisão “estranha”, dando a garantia de que o Governo de Passos Coelho “vai cair no Parlamento”.

João Soares garantiu ainda que o Grupo Parlamentar do PS está “unido” e “pronto para acabar com o conceito “abstruso” de arco de governação”. Esta noite o PS tem reunida a sua comissão politica no Largo do Rato.

João SoaresPedro Filipe Soares do Bloco de Esquerda acusou Cavaco Silva de “não respeitar as audições com os partidos” e de ter sido um “comentador da direita em todas as suas afirmações”, garantindo também que o programa do Governo de Passos Coelho “não será viabilizado”.

Pelo PCP, João Oliveira diz que “Cavaco Silva mostrou desprezo pelos resultados eleitorais” e anunciou a apresentação de uma moção de rejeição do programa da direita, dizendo ainda que será Cavaco Silva que terá de “assumir todas as responsabilidades da instabilidade”.

Pelo PSD reagiu Marco António Costa que apelou à “responsabilidade das forças políticas com assento parlamentar de saber respeitar e honrar aquela que foi a vontade popular, criando as condições necessárias para garantir a estabilidade política do Governo que vai ser empossado e ainda a manutenção das condições de confiança que garantem a continuação do crescimento económico e da recuperação do emprego que Portugal tem vivido de forma tão acentuada”. Marco António Costa disse ainda que só não existe uma solução de maior estabilidade porque o PS não quis que “fossem criadas condições para esse entendimento”.

Por fim, pelo CDS, foi Nuno Melo o responsável por reagir à intervenção de Cavaco Silva. O eurodeputado centrista recordou os episódios anteriores de maiorias relativas e disse que Cavaco Silva fez “aquilo que todos os Presidentes fizeram nos últimos 40 anos, deu o lugar de primeiro-ministro ao partido que mais votos teve contados nas urnas”.

Internet reage às declarações de Cavaco Silva

Entretanto nas redes sociais as reacções à indigitação de Pedro Passos Coelho por parte de Cavaco Silva não se fizeram esperar. O economista do Bloco de Esquerda e colaborador do Panorama, José Gusmão, disse no Facebook que “Cavaco Silva já não é o árbitro que joga para uma das equipas. É o árbitro que expulsou 1 milhão de portugueses da democracia” e que “Cavaco tem poderes para nomear Passos. Mas insinuar que não dará posse a Costa é sequestrar o parlamento que os portugueses elegeram”.

Tiago Barbosa RibeiroO presidente do PS Porto e recém-eleito deputado, Tiago Barbosa Ribeiro disse também no Facebook que “Cavaco igual a si próprio: uma lástima. Foi irresponsável e radical. Substituiu a Presidência da República por uma interpretação parcial e enviesada de alguns cidadãos da República, ignorando a imensa maioria de portugueses que votaram contra o actual Governo e a maioria absoluta de esquerda que existe no Parlamento, dialogando para uma plataforma política alternativa”, garantindo que estará no Parlamento “para um combate que honre o voto dos portugueses”.

Já a vereadora do PS na Câmara de Lisboa, Graça Fonseca escreveu apenas “surreal”, em comentário à intervenção de Cavaco Silva. O comentador Daniel Oliveira disse que “agora a questão já não é apenas política. As palavras do Presidente configuram um grave ataque à democracia, para além de um insulto a um milhão de eleitores. Quero ver quem é o deputado do PS a colar-se aceita vergonha”.

Na ala direita, Raul Almeida, ex-deputado do CDS, escreveu que “Tivemos um grande discurso Presidencial quando a Nação mais precisa! Uma verdadeira machadada nos golpistas do rato”.

O director da TSF, Paulo Baldaia, escreveu também no seu Facebook que “No fundo, o Presidente apela a uma rebelião no PS. E diz não confiar no PCP e no Bloco para uma solução de governo. Diz que isso iria trazer consequências graves económicas e sociais. Isto vai aquecer e muito”.

Descomplicador:

Cavaco Silva indigitou Pedro Passos Coelho a formar Governo. Nas reacções dos partidos a esquerda garantiu já que não vai viabilizar o Governo liderado pelo PSD e pelo CDS. Nas redes sociais já se fizeram ouvir as mais variadas opiniões.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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