PAN tem como prioridade abolir a tauromaquia. Sector não vê riscos, para já

O Pessoas-Animais-Natureza (PAN) é o mais recente partido com representação parlamentar, tendo conquistado nas eleições de 4 de Outubro mais de 75 mil votos, que garantiram a eleição do cabeça-de-lista por Lisboa, André Silva. O PAN é também o único partido a propor frontalmente o fim das corridas de touros em Portugal. O Panorama foi ouvir os dois lados da “contenda”.

André Silva PANAo longo do seu programa, o PAN refere por três vezes o fim dos espectáculos tauromáquicos: logo na página 11, o partido refere que “a falta de coragem política e os inaceitáveis apoios financeiros e institucionais dão cobertura e perpetuam uma indústria cruel mas em agonia: a tauromaquia”. Mais à frente, na página 20 propõe então a “abolição de espectáculos e exibições com animais”, onde numa das alíneas propõe a abolição da tauromaquia, através da “revogação do Regulamento do Espectáculo Tauromáquico”. Por fim, na página 39, o PAN propõe ainda a extinção da secção de tauromaquia do Conselho Nacional de Cultura.

Esta é a primeira vez que um partido defende frontalmente o fim das corridas de touros em Portugal, segundo refere também a Associação Animal, onde refere também que partidos com o PCP e o Bloco defendem sim o fim dos apoios públicos à industria tauromáquica.

Paulo Pessoa de CarvalhoContactado pelo Panorama, Paulo Pessoa de Carvalho, Presidente da Associação de Empresários Taurinos, diz que “o sector deve em meu entender acima de tudo ficar apreensivo e atento, deve parar para pensar”, referindo no entanto que “a tauromaquia não correrá riscos, tanto quanto mais se adaptar às novas realidades em vez de esconder a cabeça no buraco como a avestruz”. O mesmo entender tem António Lúcio, crítico taurino, que diz que “a tauromaquia é uma arte ancestral, bem enraizada nas suas diversas vertentes e que não se esgotam nas corridas de toiros; tem um valor e uma dimensão que lhe permitem continuar a viver com bom nível de saúde por muitos e longos anos”.

António LúcioAntónio Lúcio considera assim que “a entrada no Parlamento de um deputado do PAN, não representa um perigo acrescido para a tauromaquia”. Ainda assim, diversos elementos ligados ao sector reconhecem agora que têm de melhorar a estratégia de defesa, com António Lúcio a defender que “os responsáveis das diversas áreas ligadas à tauromaquia, têm de assumir compromissos de promover mais e melhores espectáculos, com maiores garantias de êxito financeiro e artístico, e, ao mesmo tempo, assumirem-se como lobby pressionante em todos os campos”, entendendo haver muito espaço para “um conjunto de acções e de trabalhos de fundo a realizar, também junto do Parlamento na defesa da cultura e deste marco identitário dos portugueses”.

Já Paulo Pessoa de Carvalho acredita que se “se à proporção do número que há de antis, fossemos dinâmicos e proactivos à relação do número que há de aficionados, nem sequer se tinha alguma vez ouvido falar do PAN”, mas reconhecendo que o sector tem que ser mais “persistente e consequente nas iniciativas”.

Contactados pelo Panorama, o partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) diz que a abolição da tauromaquia é uma das suas sete prioridades, descrita no seu programa eleitoral e que debateu já com outros partidos esta questão, garantindo ainda continuar a fazê-lo “à sua abolição”, salientando que “o fim de espectáculos com sofrimento animal, tal como a tauromaquia e os circos é uma das matrizes identitárias e programáticas do PAN desde a sua fundação”.

Corridas de Touros Tauromaquia TouroNo inicio de 2012 foi debatida uma petição que pedia o fim das corridas de touros em Portugal, tendo sido rejeitada pelo PSD, CDS, PS e PCP e apoiada pelos Verdes e pelo Bloco de Esquerda. Ainda assim, António Lúcio considera essencial que os deputados pró-taurinos o assumam, embora isso seja também responsabilidade de “um importante trabalho de lobby a ser feito pelos responsáveis dos diversos sectores da tauromaquia agrupados numa entidade única e esta sim tem de assumir o seu papel e congregar esforços e personalidades que, no espaço público, se assumam como defensores da tauromaquia”. Já Paulo Pessoa de Carvalho, mostra algum “receio que o tema continue a ser para muitos, vergonhosamente tabu”, acreditando no entanto que “os verdadeiros patriotas e pessoas de convicções, percebam que não há mais espaço para sermos low-profile, temos que agir com mais categoria e elevação”.

Francisco Seixas da Costa, ex-membro de um Governo socialista e embaixador escreveu recentemente no seu blog que esta é uma temática que pode agora conquistar um novo espaço mediático, lembrando que “este ameaça assim ser um debate transversal aos partidos” e tendo a certeza de que será um tema polémico no Parlamento. Nesse post, Francisco Seixas da Costa admite ser frontalmente contra as corridas de touros, lembrando no entanto uma episódio onde este ao lado de uma medida de salvaguarda da tauromaquia, por “não estar em defesa das minhas ideias” mas sim do “status quo” português.

Para já é certo que a tauromaquia voltará à ribalta na Assembleia da Republica, pelas mãos do deputado André Silva do Pessoas-Animais-Natureza (PAN), marcando assim presença de forma mais sistemática no mais importante palco de debate politico em Portugal.

Descomplicador:

O PAN vai colocar a tauromaquia na ordem do dia na Assembleia da Republica. O sector acredita que a festa brava não está em risco mas reconhece que é preciso assumir novas formas mais “pró-activas” de defesa da festa brava, pedindo também aos deputados “aficionados” que assumam o seu gosto pelas corridas de touros. O PAN disse ao Panorama que este tema será uma das prioridades.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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