O português que explicou o “golpe de estado” ao Reino Unido

Nos últimos dias correu no Twitter e noutras redes sociais um suposto golpe de estado em Portugal, que ganhou tal dimensão que eurodeputados, deputados de outros países e outras figuras da politica internacional acabaram por partilhar e questionar o porquê da situação não estar a ser noticiada. Filipe Henriques, que pertence ao partido LIVRE, estudante de Ciência Politica e uma das figuras mais influentes do Twitter em Portugal explicou num artigo para o jornal britânico The Guardian o sistema politico português e o suposto “golpe de estado”.

O movimento do “golpe de estado” começou após um artigo do politólogo Ambrose Evans-Pritchard ter escrito no The Telegraph que Portugal “entrou em águas políticas perigosas”, com um politico britânico a partilhar o artigo dizendo que a democracia tinha sido suspensa. Em Portugal a hashtag #portugalcoup tornou-se viral com os portugueses a partilharem imagens de outros acontecimentos mas associadas a um suposto “golpe de estado”.

Filipe Henriques, que integrou a plataforma Tempo de Avançar que concorreu nas últimas eleições com o LIVRE, o Fórum Manifesto, a Renovação Comunista e outros, e estudante de Ciência Politica, escreveu um artigo para o jornal britânico The Guardian a explicar o que foi ao certo o “golpe de estado” e o funcionamento do sistema politico português, deixando ainda um conjunto de críticas aos que aproveitaram a situação para criticar o funcionamento das instituições, como o eurodeputado conservador Daniel Hannan.

Filipe S HenriquesMembro do Partido Conservador no Parlamento Europeu, em representação do Reino Unido, Hannan escreveu na sua página do Twitter que “ou se pode ter uma democracia, ou uma união politica na União Europeia, mas não se pode ter os dois”. Filipe Henriques respondeu no entanto, dizendo que “o que Hannan e outros euro-cépticos não perceberam foi que os acontecimentos recentes em Portugal não estão relacionados com a estrutura da União Europeia, mas sim com as medidas económicas que a direita impôs em Portugal”, acusando ainda o partido de Hannan de querer impor o mesmo no Reino Unido.

Filipe Henriques esclarece que a “ala esquerda e os comunistas são também euro-cépticos mas não pedem que Portugal saia da Zona Euro ou da União Europeia”, acrescentando ainda que “o maior partido da coligação de esquerda é o Partido Socialista que foi o responsável por colocar Portugal na União Europeia e na Zona Euro e que luta por uma cada vez maior cooperação europeia”.

Assim, para estudante de ciência politica e uma das figuras politicas mais influentes do Twitter segundo um estudo nacional, o que “aconteceu em Portugal não foi um golpe” mas sim “a acção de um mau Presidente da Republica, com um mau sistema, num momento difícil da história do país”. Para Filipe Henriques, os “euro-cépticos britânicos receberam mais uma prova de algo claro para os europeus: os factos cada vez mais são danos colaterais na pressa pelo Brexit [saída do Reino Unido da União Europeia]”.

Num artigo de opinião com várias criticas aos euro-cépticos britânicos, Filipe Henriques termina ainda dizendo que “o que o Presidente da Republica legitimamente fez foi escolher o líder da coligação com mais votos, o que aos olhos dos britânicos euro-cépticos constituiu um golpe de estado”.

Descomplicador:

Um movimento espontâneo criado no Twitter levou a que várias figuras politicas internacionais, especialmente no Reino Unido, pensassem estar a ser levado a cabo um golpe de estado em Portugal. Filipe Henriques, do LIVRE, escreveu um artigo de opinião para o The Guardian onde esclarece a situação e deixa um conjunto de críticas aos que defendem a saída do Reino Unido da União Europeia.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *