Para além da espuma dos dias…

Foi divulgado esta semana o Relatório da Emigração 2014 que faz um levantamento e análise dos dados da nossa presença no Mundo.

Não é novidade o facto de Portugal ser um país com forte emigração, contribuindo por isso com 1% (2,3 milhões de portugueses emigrados) no total de 216 milhões migrantes internacionais. Portugal é, de resto, o segundo país da União Europeia com mais emigrantes em percentagem da população (21%).

Naturalmente que desde 2010, com a crise que atravessou Portugal, e que se traduziu em 2011 num pedido de ajuda externa, o fenómeno se agudizou e os números da emigração portuguesa voltaram a estar ao nível dos registados no final na década de 60 e inícios da década de 70.

EmigraçãoA esse respeito, será transversal a qualquer uma das forças políticas a preocupação pelo facto de muitos destes portugueses terem emigrado por não encontrarem em Portugal oportunidades e perspetivas de aqui desenvolverem os seus projetos de vida. Mas já será, sem dúvida, diversa a leitura que cada um dos partidos faz dos motivos que justificam o aumento do fluxo migratório e nas soluções para o estancar e fazer recuar.

A verdade é que será politicamente desonesto atribuir as culpas do flagelo da emigração portuguesa às políticas levadas a cabo nos últimos 4 anos. Com efeito, vários anos de más decisões que não acautelaram o interesse público levaram a que o país estivesse na iminência do colapso da sua economia em 2011, o que obrigou a que vivêssemos tempos muito difíceis desde então. Ainda que o apuramento da responsabilidade possa parecer irrelevante ou inútil face aos enormes desafios que temos pela frente, não deixa de ser verdade que caso não tenhamos a capacidade de identificar os erros (e até os protagonistas) podemos correr o risco de os repetir e de voltar a onerar (ainda) mais as novas gerações.

EmigraçãoPara além de me parecer relevante identificar as razões que levaram a que o país deixasse de oferecer condições para que muitos portugueses permanecessem em Portugal, torna-se determinante compreender com clareza o que podemos fazer para corrigir a alarmante subida da emigração portuguesa. É óbvio que o caminho de recuperação económica é aquele que deve ser trilhado. Só com a descida do desemprego, com a criação de postos de trabalho, a recuperação da confiança dos investidores e da credibilidade externa do país e a descida da carga fiscal conseguiremos que os milhares de portugueses que emigraram regressem, uma vez que a esmagadora maioria anseia, naturalmente, por uma oportunidade para voltar para Portugal. A par desta recuperação da nossa economia, torna-se evidente que, estruturalmente, continuamos a ter graves deficiências na relação que as instituições de ensino superior mantêm com o mercado de trabalho. Por essa razão, é igualmente fulcral que se faça, de vez, a reorganização da rede de ensino superior, tornando-a mais adequada e adaptada às realidades do nosso tecido económico e às necessidades do mercado de trabalho.

Enquanto assistimos incrédulos ao impasse político criado com as eleições de dia 4 de outubro e ao debate político que se instalou desde então, seria interessante ou mesmo determinante que se prosseguisse o caminho de reformas que iniciámos e que não pode nem deve ser interrompido. A bem do País!

Publicado por: Margarida Balseiro Lopes

Deputada eleita pelo PSD. Licenciada e Mestre em Direito e Secretária-Geral da Juventude Social Democrata

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