Costa com 40m para convencer PS a aprovar Governo de esquerda

António Costa discursou durante 40m na abertura da Comissão Nacional do Partido Socialista para convencer o partido a votar favoravelmente a proposta de Programa de Governo que apresentou esta tarde. Paulo Portas e Pedro Passos Coelho foram os que sofreram mais críticas, mas a oposição interna e até os jornalistas não escaparam à intervenção do Secretário-Geral.

O líder socialista aproveitou a sua intervenção para “puxar a bobine” e regressar à noite eleitoral, referindo que “esta é a primeira vez que a direita coligada consegue formar uma maioria na Assembleia da Republica” e que assim “o pior que o PS podia fazer era viabilizar uma maioria da direita e não procurar formar um Governo de esquerda”, reforçando a responsabilidade do PS na história da democracia nacional.

António CostaRelativamente aos que o acusam de liderar um “golpe de secretaria”, António Costa disse que “o PS está à vontade porque já fez acordos com o CDS e o PSD e já vimos o PSD e o CDS fazerem acordos pós-eleitorais”, dizendo em tom mais assertivo que “não está escrito em lado nenhum que só são válidos acordos pós-eleitorais entre o PS, o PSD e o CDS”.

O Secretário-Geral do PS voltou a referir uma frase que disse ontem em entrevista à SIC, a de que “hoje é a hora de pôr termo a esse último resquício do PREC e do Muro de Berlim e que é absolutamente anacrónico no Portugal de 2015”, falando assim do acordo com o PCP e o Bloco de Esquerda e disse também em tom assertivo que “não há ninguém à nossa direita que nos dê lições de europeísmo porque o PS foi o campeão da integração europeia em Portugal”.

Paulo Portas foi o membro da coligação PSD/CDS mais atacado por António Costa, com o líder socialista a dizer que “em 2004 para ganhar uns lugares no Governo de Durão Barroso o PP passou de anti-euro para o primeiro fã do euro”, e dizendo que o PS não tem “uma visão mercantilista do Governo” e que não precisa de “tornar revogável o que é irrevogável para obter o lugar de Vice Primeiro Ministro para anos depois até oferecer o lugar de Vice”.

Ainda no que toca ao Governo, António Costa disse que “depois de pedirem um Governo competente, bastou a visita do Ministro da Administração Interna a Albufeira para percebermos a que gente estamos entregues”.

Para a oposição interna, António Costa disse que o PS recusa a “visão cínica de que os devemos deixar lá ficar uns meses até se espalharem ao comprido”, dizendo que essa não é “a postura deste PS”. Num discurso onde por vezes a ala mais crítica não aplaudiu António Costa, a verdade é que no fim da intervenção praticamente toda a sala se levantou para aplaudir o líder socialista.

Descomplicador:

António Costa falou hoje durante 40m aos militantes socialistas para os convencer a aprovarem o Programa de Governo que resultou da negociação com o PCP e o Bloco de Esquerda. Num discurso onde Paulo Portas foi o principal alvo, também existiu tempo para uns recados à oposição interna e até aos jornalistas.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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