Os partidos do arco do bloqueio

Nestes 41 anos de democracia, consolidou-se em Portugal uma expressão que tem servido de base à sua estabilidade: o “arco governativo”, também conhecido por “arco democrático”.

Eu prefiro, em vez de arco, utilizar a palavra “solução”. Ou seja, acho mais adequado dizer “os partidos da solução democrática”.

É com uma “Solução” que ultrapassamos um problema, que resolvemos um impasse. Quando tudo é claro, não precisamos de soluções. Estas só existem em momentos de dúvida ou tensão.

Ora, no plano da democracia, os portugueses habituaram-se a impor aos partidos essa solução (o tal arco) de governação democrática, quando não pretendem que um só partido governe.

Parlamento Assembleia da RepublicaTradicionalmente, esses partidos são o PSD, o PS e o CDS. Não apenas porque são os únicos que governaram em tempos de democracia consolidada, como porque são aqueles em quem reconhecemos os traços de sensatez e sentido de Estado fundamentais ao exercício politico.

Ora nos dias que correm, o arco democrático foi substituído por um outro arco.

Não sei o que se vai passar hoje e amanhã nos debates parlamentares. Porém, a julgar pela paralisação da Assembleia da República durante mais de uma semana (temos de recuar a tempos de má memória para encontrar igual perturbação), não tenho dúvidas de que o PS se transferiu para outro clube: o arco do bloqueio.

Por aquilo que já sabemos que esta transferência implica, pode bem ser a mais cara do mercado e a mais prejudicial para os portugueses!

Nota da redacção: O artigo de opinião foi escrito antes do inicio do debate do Programa de Governo do PSD e CDS.

Presidente da Juventude Social Democrata. Deputado do PSD. Estudante de Direito

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