Passos Coelho “apreensivo”. PS demarca-se da “agenda liberal” do Governo.

Passos CoelhoA tão esperada discussão do programa de Governo da coligação PàF chegou. Esta segunda-feira é o primeiro dia de um debate com um final anunciado: o chumbo do programa de PSD/CDS-PP e a consequente queda do Executivo. No entanto, os dois dias de debate irão servir para cada partido dar a sua visão do atual momento político e para defender o seu programa. O primeiro discurso do dia foi de Pedro Passos Coelho, que abriu a sessão com um discurso de 35 minutos.

O primeiro-ministro confessou, no início, por confessar que se encontra “apreensivo” em relação ao arranque desta nova legislatura. O motivo que deixa Passos Coelho com um pé atrás prende-se com o fato de se desenharem “promessas de novas convenções” para o início da legislatura. Depois da observação, o presidente do PSD afirmou que o caminho da austeridade que seguiu no anterior mandato “não foi uma escolha” mas sim “uma necessidade”.

Sem grande entusiasmo da parte das bancadas de PSD e CDS-PP ao longo do discurso, Passos Coelho foi defendendo o seu programa, que definiu como a opção mais estável, “coesa e credível”, e atacando as forças de esquerda, que na ótica do primeiro-ministro seguirão “uma política de ruína de Portugal”.

As negociações com os socialistas, que tanta tinta fizeram correr no período pós-eleitoral, não foram esquecidas na intervenção de Passos Coelho. O primeiro-ministro dirigiu críticas à postura do PS nessas conversações, ainda que de forma implícita, e voltou a explicar a razão para não terem chegado a bom fim: “uma coisa é o diálogo; coisa bem diferente seria trocar o programa e desrespeitar e defraudar aqueles que escolheram para governar o país”.

Ao fim de pouco mais de meia-hora, Passos Coelho terminou o discurso com um longo aplauso de pé vindo das bancadas de PSD e CDS-PP.

Seguiram-se as reações da oposição. O primeiro a assumir a palavra foi o deputado socialista Pedro Nuno Santos, que começou por sublinhar as diferenças que existem entre PS e a coligação PàF. Para o socialista, “os programas são muito diferentes”. Pedro Nuno Santos fez questão de enumerar uma série de áreas onde PS e PSD/CDS não têm uma visão comum.

“É o modelo social que nos separa”, acabou por sintetizar o deputado. No entender de Pedro Nuno Santos, este Executivo pôs em causa o Estado Social, e quando assim é “a classe média é posta em causa”. Na conclusão da sua intervenção o socialista recusou a ideia de que foi uma necessidade a imposição da austeridade e a sua continuação: “Não é a troika nem o Memorando. A troika já não está, o Memorando também não, mas a agenda liberal continua”.

Descomplicador:

O debate em torno do programa de Governo começou esta segunda-feira e vai terminar amanhã com a já anunciada queda do Governo. Na primeira intervenção da tarde, Passos Coelho afirmou estar “apreensivo” e apontou críticas à oposição, em especial ao PS. Na resposta, Pedro Nuno Santos frisou que o programa dos socialistas é “muito distante” daquele que a coligação PàF apresentou e afirmou que não irá colaborar com a continuação da “agenda liberal” deste Executivo.

Publicado por: José Pedro Mozos

23 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH - Universidade Nova de Lisboa. Entre março de 2016 e junho de 2017 passou pela SIC Notícias. Faz parte da editoria de política da Revista VISÃO desde julho de 2017. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, faz parte do Conselho Editorial do Panorama.

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