ÚLTIMA HORA: O Governo de Passos Coelho e Paulo Portas caiu

Assembleia da Republica ParlamentoO Governo liderado por Pedro Passos Coelho e Paulo Portas caiu esta terça-feira depois de ter sido votada favoravelmente a moção de rejeição do PS. Com 123 votos a favor e 107 contra, a moção apresentada pelos socialistas foi aprovada no parlamento esta tarde. O Executivo da coligação PàF cai dez dias após ter tomado posse como o XX Governo Constitucional.

No segundo e último dia de discussão e análise do programa de Governo, as diferentes forças partidárias trocaram acusações de parte a parte antes da votação das moções de rejeição.

António Costa criticou o Executivo de Passos Coelho e valorizou o esforço feito para alcançar um acordo de alternativa: “o que é novo é que, desta vez, as oposições foram capazes de assegurar uma alternativa maioritária. Acabou o tabu, derrubou-se um muro, venceu-se mais um preconceito”, afirmou. O líder socialista destacou o fato de, ao longo das negociações, as divergências entre os partidos de esquerda terem sido postas de parte para ser possível alcançar um acordo. António Costa terminou a sua intervenção afirmando que “este é o momento de pôr termo à governação da coligação PSD/CDS, para abrir um novo ciclo governativo”.

Já Passos Coelho criticou fortemente a linha de atuação dos socialistas. O primeiro-ministro disse mesmo que “o que move o PS hoje não é senão o apetite pelo poder”. O presidente do PSD foi interrompido diversas vezes por aplausos das bancadas do seu partido mas também do CDS-PP. Destacou os resultados económicos conseguidos ao longo desta legislatura e lembrou “o esforço muito duro” que foi feito para os alcançar. O primeiro-ministro criticou ainda o acordo conseguido pelo PS com os partidos à sua esquerda e confessou não confiar “nesta nova maioria que se anuncia” e criticou fortemente a posição do PS neste tempo pós-eleitoral. Na conclusão do seu discurso, Passos

Depois de ouvidos todos os intervenientes votou-se a moção de rejeição do Partido Socialista, que foi aprovada com 123 votos a favor e 107 contra.

Os próximos passos

Este desfecho já era esperado. Poucos dias depois das eleições legislativas de 4 de Outubro os partidos de esquerdaAntónio Costa
começaram a negociar a possibilidade de apresentar uma solução governativa que tivesse o apoio parlamentar de PS, Bloco de Esquerda e CDU. As três forças políticas depressa mostraram que um acordo à esquerda era possível no novo quadro político que se tinha formado depois do ato eleitoral.

O PS ainda manteve conversações com PSD e CDS-PP mas foi impossível chegar a um acordo entre as partes. Os socialistas concentraram-se então em conseguir estabelecer um entendimento com BE, PCP e PEV. Semanas depois, os partidos chegaram a entendimento este fim-de-semana e os acordos foram assinados ao início desta tarde depois de os termos terem sido aprovados internamente em cada um dos partidos.

Cavaco Silva vai voltar a ouvir os partidos e tomará uma de três decisões: ou indigita António Costa como primeiro-ministro, que depois dos acordos assinados ao início desta tarde tem apoio parlamentar, e o líder socialista forma assim um novo Executivo; ou mantém este Governo em gestão de funções e deixa para o próximo Presidente da República a responsabilidade de marcar eleições; ou forma um Governo de iniciativa presidencial. Dentro destas possibilidades, a indigitação de António Costa como primeiro-ministro parece ser a solução mais provável.

(em actualização)

Publicado por: José Pedro Mozos

22 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Socia e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH - Universidade Nova de Lisboa. Foi comentador num programa da rádio da sua faculdade sobre actualidade política; editor de música da ESCS Magazine e escreveu para o site Bola na Rede. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, é jornalista na SIC Notícias.

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