Paulo Cunha e Silva: Faleceu o “conciliador da cultura com a cidade do Porto”

Foi repentino e apanhou todos de surpresa. O vereador da cultura da Câmara Municipal do Porto faleceu esta madrugada aos 53 anos vitima de um ataque cardíaco fulminante. A autarquia publicou um breve comunicado a informar que Rui Moreira decretou três dias de luto municipal. Paulo Cunha e Silva foi também um dos nomes mais influentes do Porto2011 – Capital Europeia da Cultura.

Paulo Cunha e SilvaFoi uma das apostas de Rui Moreira na sua candidatura à Câmara Municipal do Porto em 2013 e o seu trabalho tem vindo a ser elogiado por diversos quadrantes da sociedade portuense e nacional. Licenciado em medicina foi na cultura que “deu cartas”, dirigindo o Instituto de Artes do Ministério da Cultura para além de ter sido um dos principais responsáveis pela programação do Porto2001 e comissário de Guimarães2012, ambas capitais europeias da cultura. Colaborou ainda com a Fundação Serralves e Fundação Gulbenkian.

Ao Panorama, Gabriela Canavilhas, ex-Ministra da Cultura afirma que “graças ao Dr. Paulo Cunha e Silva deu-se a reconciliação entre a Cultura e a cidade do Porto”, acrescentando que “o dinamismo inexcedível de Paulo Cunha e Silva fez-se sentir numa “movida” cultural nova que acompanhou o afluxo turístico e um evidente renascimento cultural do Porto” e que assim “será muito difícil superar a sua perda”.

Teresa Lago, presidente da Sociedade Porto2001 com quem trabalhou, disse que Paulo Cunha e Silva era “uma chama viva da cultura” e na sua opinião o maior legado que deixa ao Porto é o “conhecimento e organização da programação do Porto Capital Europeia da Cultura, em especial a vinda de Dalai Lama”.

O candidato presidencial, António Sampaio da Nóvoa reagiu também ao desaparecimento de Paulo Cunha e Silva dizendo que “percebeu, melhor do que ninguém, a importância de cruzar todas as cidades que existem dentro de uma cidade”, para além da “necessidade de olhar de outro modo para a cultura, e para a criação, de valorizar o “espaço do meio”, de reforçar o país que existe entre o popular e o erudito”.

Numa entrevista a Anabela Mota Ribeiro, há anos atrás, Paulo Cunha e Silva considerava que “a política também é um exercício de bom gosto, mas não deve escolher entre situações mais populares e outras mais eruditas. Deve articular todos os gostos”, defendendo ainda uma “espécie de classe média da cultura. É nela que acho que temos de investir”.

O último post de Paulo Cunha e Silva na sua página do Facebook foi apenas há 15h, encontrando-se na Faculdade de Belas Artes do Porto a preparar mais uma iniciativa:

Onde estava e o que fazia?Hoje de manhã.

Publicado por Paulo Cunha E Silva em Terça-feira, 10 de Novembro de 2015

Descomplicador:

Paulo Cunha e Silva, vereador da cultura na Câmara Municipal do Porto e um dos nomes fortes do Porto2001 – Capital Europeia da Cultura faleceu esta madrugada de forma súbita com um ataque cardíaco fulminante. A ex-Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas diz ao Panorama que “graças ao Dr. Paulo Cunha e Silva deu-se a reconciliação entre a Cultura e a cidade do Porto”.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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