Argentina: Mauricio Macri é o novo Presidente. Kirchnerismo chega ao fim.

A noite de ontem ficou marcada pelo fim de uma era na política da Argentina: o Kirchnerismo. A vitória de Mauricio Macri foi conseguida numa inédita segunda volta das eleições presidenciais argentinas, depois de na primeira o candidato Daniel Scioli não ter conseguido vencer na primeira volta com a maioria dos votos. A votação deste domingo foi renhida, mas Macri, que obteve 51,4% dos votos, acabou por levar a melhor sobre Scioli, que conseguiu 48,6%.

Mauricio Macri

A partir desta eleição, a Argentina vai voltar a ter um líder liberal, feito que não era alcançado desde o final do século passado. Mas mais do que isso, põe um ponto final no Kirchnerismo, eu dura há já 12 anos e que poderia continuar com a eleição de Scioli, o preferido de Cristina Kirchner para a sua sucessão. A maioria dos grandes grupos económicos e empresariais estão ao lado de Macri e o reatar de relações com os Estados Unidos e com a Inglaterra parece estar agora mais próximo. Do outro lado, os países sul-americanos com governos de esquerda mostram-se preocupados com esta solução, assim como as camadas mais baixas da sociedade argentina.

Mauricio Macri tomará posse no próximo dia 10 de dezembro. Entre as prioridades do novo Presidente está a retirada da Venezuela da Mercosul devido ao “défice democrático” existente no país.

Mas, afinal… O que foi o Kirchnerismo?

O início desta fase remonta ao ano de 2003, quando Néstor Kirchner, marido de Cristina, foi eleito Presidente. A Argentona estava a recuperar de uma grave crise financeira e a intervenção do FMI tinha deixado o país com uma dívida considerável para pagar. O compromisso de Néstor Kirchner foi o de recuperar a economia e o país. Desde a sua chegada que o país não parou de seguir uma tendência positiva.

O então Presidente decidiu antecipar o pagamento da dívida ao FMI, que considerava sere uma entidade que apenas agravara a situação do país. Néstor Kirchner sempre foi muito crítico em relação ao FMI e à sua intervenção, no entanto decidiu adiantar o pagamento da dívida para ver o seu país livre de influência externa mais rapidamente. Numa política que tinha como base a criação de emprego e o estímulo do consumo, Néstor Kirchner conseguiu descer a taxa de desemprego ano após ano e pôr a economia a crescer a um ritmo sempre superior a 7,5%.

Cristina KirchnerNo ano de 2007, Néstor Kirchner – que acabaria por falecer em 2010 vítima de taque cardíaco – terminou o seu mandato e retirou-se da política mas o Kirchnerismo continuou. Desta vez, pelas mão de Cristina Kirchner, que venceu as eleições presidenciais desse ano à primeira volta. Motivada pelos bons resultados alcançados pelo seu antecessor, a Chefe de Estado decidiu continuar a rumo seguido desde 2003.

Os resultados continuaram a melhorar ano após ano e em 2011 Cristina Kirchner voltaria a ser eleita à primeira volta sem qualquer tipo de surpresa. A redução da pobreza foi uma das prioridades da Chefe de Estado que, através de uma política semelhante à do marido: apostas na criação de emprego, nacionalização de empresas estratégicas, estímulos ao consumo e no desenvolvimento industrial. A igualdade social foi também uma preocupação da agora Presidente cessante, sendo a aprovação do casamento gay o maior exemplo disso.

Foi ainda durante o mandato de Cristina Kirchner que a Argentina atingiu o mínimo histórica de dívida externa: apenas 17,9% do PIB, em 2013. No entanto, a inflação começou a ser um problema nos últimos anos de mandato e o crescimento económico abrandou. A Chefe de Estado deixará o cargo com uma taxa de inflação de 20%.

Nos últimos meses a popularidade de Kirchner tinha vindo a cair devido ao facto de muitos analistas terem considerado que a sua política se inclinava cada vez mais para uma espécie de autoritarismo popular.

Descomplicador:

Mauricio Macri foi ontem eleito o novo Presidente da Argentina. Depois de uma primeira volta em que nenhum candidatos conseguiu arrecadar a maioria dos votos, o candidato liberal, que alcançou os 51,4% dos votos, levou a melhor sobre Daniel Scioli (48,6%), o favorito de Cristina Kirchner, a Chefe de Estado que cessa funções este ano. Esta vitória supõe o fim do Kirchnerismo e a chegada de um líder liberal, feito que não acontecia desde os anos 90.

Publicado por: José Pedro Mozos

22 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Socia e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH - Universidade Nova de Lisboa. Foi comentador num programa da rádio da sua faculdade sobre actualidade política; editor de música da ESCS Magazine e escreveu para o site Bola na Rede. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, é jornalista na SIC Notícias.

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