“Casting” para o Governo PS: quem entrou, quem falhou e quem mudou de papel

A partir do momento em que foram apresentadas as listas do Partido Socialista às eleições legislativas e mais tarde quando António Costa começou a ser a única solução válida para formar governo, surgiram diversos nomes de possíveis ministros socialistas. Uns chegariam mesmo até à lista final, que tomará posse amanhã pelas 16h, e outros foram ficando pelo caminho.

Os que chegaram à lista final

Tiago Brandão RodriguesTiago Brandão Rodrigues, cabeça-de-lista por Viana do Castelo, investigador que regressou de Cambridge para liderar a educação, acaba mesmo por ser integrado no elenco governamental. Poucos acreditariam que Tiago Brandão Rodrigues aceitasse o desafio apenas para ficar como deputado, sendo um dos nomes que sempre foi apontado à pasta da educação. Apesar de ter perdido no seu circulo eleitoral com 29% contra 45% para a coligação, Tiago Brandão Rodrigues foi desde cedo uma das apostas fortes de António Costa para uma pasta ministerial.

Para a pasta das finanças o nome apontado também foi sempre o de Mário Centeno. O economista do Banco de Portugal e professor universitário, responsável pelo cenário macro-económico de António Costa foi uma das novas caras do líder socialista, tendo estado sempre na linha frente no que às finanças diz respeito e tendo especialmente nos últimos tempos desdobrado-se em entrevistas, conferências e palestras para explicar as ideias do PS para a área financeira.

Na agricultura, o cabeça-de-lista por Évora, Capoulas dos Santos, acaba também por chegar ao elenco final, depois de sempre ter sido apontado a esse lugar. Embora tenha passado os últimos anos como eurodeputado, Capoulas dos Santos foi já ministro com António Guterres.

Na economia, embora os nomes falados fossem mais que muitos, entre eles outro dos nomes fortes da área socialista, Paulo Trigo Pereira, o favorito foi sempre Manuel Caldeira Cabral. O cabeça-de-lista por Braga foi uma das aquisições de António Costa para a realização do programa socialista e esteve também na linha da frente na defesa das soluções económicas e financeiras que o PS tem construído para Portugal.

Adalberto Campos FernandesNa área da saúde, Adalberto Campos Fernandes, que colaborou com o programa do Partido Socialista na área da saúde também é apontado a esta pasta desde há diversos anos. Ex-gestor do Hospital de Santa Maria e actual administrador do sistema de saúde dos funcionários da banca, conclui recentemente a sua tese de doutoramento, onde defende que o privado facilita o acesso à saúde mas nem sempre presta melhores cuidados.

Maria Manuel Marques Leitão também se manteve sempre próxima de António Costa e tendo tido um papel fundamental no passado, na criação do Simplex, foi desde o inicio um nome dado também como certo num Governo liderado pelos socialistas. A ex-Secretária de Estado da Modernização Administrativa, “sobe” agora a Ministra da Presidência e da…Modernização Administrativa.

Os que chegam à lista final mas mudam de pasta

João SoaresJoão Soares é talvez a maior surpresa nesta área. Apontado como potencial Ministro da Defesa, o socialista surge agora como Ministro da Cultura. Depois de ter sido o responsável por transformar Lisboa na Capital Europeia da Cultura em 1994 e de ter sido editor de profissão, João Soares volta agora a uma área “adormecida” na sua vida profissional, para surpresa de quase todos.

Dos assuntos parlamentares para a segurança social “viajou” um dos “senadores” deste Governo, José Vieira da Silva, ex-Ministro da Economia e mais tarde do Trabalho e da Solidariedade Social, regressa agora a uma área que não lhe é desconhecida, a da segurança social, deixando os assuntos parlamentares para o “jovem” Pedro Nuno Santos que será Secretário de Estado.

Da pasta que tomou conta Vieira da Silva fica assim de fora um dos nomes apontados, Pedro Marques, mas que no entanto terá colocação noutra área. As infraestruturas e planeamento serão a pasta pela qual será responsável o ex-Secretário de Estado da Segurança Social nos governos liderados por José Sócrates.

Os que “falharam” o casting

Muitos são assim os nomes que foram sendo apontados a ministérios e que ficaram pelo caminho. A começar logo por uma área que surpreendentemente ficou de fora da orgânica do Governo enquanto ministério e que se deverá manter como secretaria de estado. Os assuntos europeus eram apontados sobretudo a Elisa Ferreira, mas também a Carlos Zorrinho e Margarida Marques. Margarida Marques acabou por assumir a área mas enquanto secretária de estado.

Carlos CésarAinda assim a área com mais “candidatos” era segundo a imprensa os negócios estrangeiros e todos eles falhados para Augusto Santos Silva, que nunca havia sido apontado a esta pasta. Nomes como Francisco Seixas da Costa, Carlos César, Basílio Horta e até Freitas do Amaral foram sendo apontados ao lugar, mas nenhum havia de se confirmar nesta lista final que foi já entregue a Cavaco Silva.

Na ciência e no ensino superior, Manuel Heitor, discípulo de Mariano Gago começou a ser apontado ao cargo mas o grande favorito era o cabeça-de-lista pelo Porto, Alexandre Quintanilha, que se manterá assim como deputado do PS e não passará a ministro.

Helena Freitas, cabeça-de-lista por Coimbra era a favorita à área do ambiente, mas na lista que foi divulgada pela imprensa, João Pedro Matos Fernandes parece assumir esse papel. O ex-administrador da Águas do Porto e engenheiro civil de formação foi assim chamado ao Governo para gerar consensos essencialmente na área em que é especialista.

Na justiça, o responsável máximo pelo programa do Partido Socialista fica assim de fora do ministério. João Tiago da Silveira, professor universitário e coordenador do programa do PS não irá assim ocupar o lugar de Ministro da Justiça, que foi ao que tudo indica entregue a Francisca Van Dunem, Procuradora Geral do distrito de Lisboa.

Fernando Rocha Andrade, um nome bastante próximo de António Costa ficou também de fora no “casting” para Ministro da Administração Interna, lugar que será ocupado por Constança Urbano de Sousa. Rocha Andrade foi adjunto do Ministério da Justiça e dos Assuntos Parlamentares e já em 2008 tinha falhado a sua entrada como Subsecretário de Estado da Administração Interna por pressão das Forças Armadas. Ainda assim, será o novo Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais.

Aguiar Branco Miranda CalhaNa defesa, lugar que será ocupado, surpreendentemente por Azeredo Lopes, chefe de gabinete de Rui Moreira, Júlio Miranda Calha era o nome mais falado a par de João Soares, que passou para a cultura. Miranda Calha foi Secretário de Estado da Defesa e coordenador da Comissão Parlamentar de Defesa Nacional, mas não foi ainda com António Costa que chegou a ministro.

Por fim, na área que ficará sob a tutela de João Soares, a cultura, foram sendo apontados alguns nomes, dos quais se destacam Rui Vieira Nery, musicólogo e responsável pela candidatura do Fado a Património Mundial, bem como a escritora Margarida Pinto Correia.

Existem ainda os casos de João Galamba e Ana Catarina Mendes que propositadamente ficarão no Parlamento para fazerem a ponte com o Governo e para liderarem o ataque a Passos Coelho e Paulo Portas que assumirão o seu lugar na oposição. Pedro Nuno Santos, um dos homens fortes de António Costa será Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares. O facto de alguns nomes terem sido apontados antes da derrota eleitoral do PS pode também ter feito António Costa mudar a sua estratégia no que toca à construção do Governo, podendo ter sido “obrigado” a afastar alguns independentes.

Descomplicador:

Desde que António Costa apresentou as listas do PS para as eleições legislativas, vários nomes foram sendo apontados a ministros. O Panorama fez a recolha dos que chegaram ao elenco definitivo, aos que mudaram de pasta e aos que foram ficando pelo caminho.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *