Tomada de Posse: Cavaco recorda poderes presidenciais. Costa coloca o poder no Parlamento

No discurso de tomada de posse, o Presidente da Republica, Cavaco Silva começou por recordar que o Governo que tomou posse foi formado “devido à crise politica aberta” com a rejeição do Governo de Passos Coelho, a quem Cavaco Silva prestou um “reconhecimento” pelos serviços prestados ao país.

Cavaco SilvaCavaco Silva reforçou a sua mensagem anterior de que tem como prioridade “salvaguardar o crescimento do emprego, a trajectória de recuperação financeira e os compromissos internacionais”, facto que o levou a criticar a “omissão” destas questões nos acordos entre o PS, o Bloco de Esquerda, o PCP e Os Verdes e reforçando que fez “esforços” para as esclarecer. O Presidente da Republica colocou assim a “responsabilidade deste Governo nas forças politicas envolvidas” na queda do anterior executivo, liderado por Pedro Passos Coelho.

Cavaco Silva reforçou a importância dos mercados, dizendo que “as indicações das instituições internacionais não devem ser ignoradas”. A “defesa da estabilidade do sistema financeiro”, bem como “os empresários e trabalhadores que são verdadeiros heróis”, são as “grandes responsabilidades” deste novo executivo de António Costa.

Ao novo líder do executivo, Cavaco Silva prometeu “lealdade institucional”, mas acrescentou que não abdica dos poderes que a Constituição da Republica lhe confere, dizendo que “desses poderes só não dispõe da dissolução do Parlamento”, garantindo assim que tudo fará para garantir que “o país não se afasta da trajectória actual e perca a credibilidade externa”.

António Costa critica actuação do Governo cessante e coloca responsabilidade no Parlamento

O recém-empossado Primeiro-Ministro, António Costa garantiu não “ignorar as dificuldades nem as restrições que limitam o leque de opções e que condicionam o leque de acção” deste Governo. Ainda assim, António Costa disse que o Governo “não teme o futuro nem está preso de movimentos”, dando assim a garantia de confiança de todos os elementos.

António CostaAntónio Costa disse ainda que todos os agentes políticos “devem ter um esforço adicional de diálogo”, assumindo também a “mudança de orientação das politicas” para melhorar a consolidação orçamental e o equilíbrio das contas publicas. Para António Costa o seu Governo resulta da “legitimidade genuinamente democrática” dos portugueses ao alcançar o acordo da maioria parlamentar.

O agora líder do Governo afirmou que “assim como contam todos os votos, também contam todos os mandatos parlamentares, para funções de representação e de governação”, entendendo que este Governo contribuiu para “enriquecer a democracia” e que será perante a Assembleia da Republica que “responde politicamente”.

Também António Costa garantiu “a máxima lealdade” ao Presidente da Republica, mas também o respeito pelo Parlamento e pelas entidades judiciais. O agora Primeiro-Ministro dedicou ainda uma palavra às comunidades portuguesas.

António Costa fez criticas ao trabalho do Governo anterior dizendo que o país está “mais desigual” e “mais endividado”, falando em “urgência social e urgência económica”, dizendo que não se “recupera produtividade pela precarização” e que a “austeridade não gera crescimento”.

A nova orgânica do Governo foi também alvo de referência apontando como aposta “a cultura, a ciência, a educação e a politica do mar”, bem como a modernização administrativa. “Este Governo nasceu da recusa da ideia de que não havia alternativa”, dizendo que a tomada de posse de Cavaco Silva a este executivo “é a prova de que a democracia é sempre capaz de gerar alternativa”.

António Costa disse que este é o “tempo da reunião”, dizendo que Portugal não precisa de “crispação, mas sim de união”, acrescentando ainda que este é tempo de “sarar feridas” e rejeitando “radicalizações”, garantindo que o seu Governo será moderado. O líder do Partido Socialista dirigiu ainda uma palavra ao “esforço e dedicação” de Passos Coelho em “anos de difícil governação”.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *