Hungria recorre ao Tribunal Europeu para alterar a distribuição de refugiados

Esta quinta-feira, o primeiro-ministro húngaro afirmou, numa conferência, que não está disponível para o aceitar as propostas de Bruxelas e que irá apresentar um recurso no Tribunal de Justiça europeu. Viktor Orbán garantiu que mais imigrantes representam mais terrorismo na Europa.

O recurso à justiça vem na sequência da aprovação pelo Parlamento húngaro de uma resolução que dá ao governo a possibilidade de ir contra a distribuição dos 160 mil refugiados definida por Bruxelas em Outubro. Através de 145 votos a favor, 41 contra e uma abstenção, Viktor Orbán deu mais um passo na sua oposição aos refugiados, afirmando ainda: “enquanto este governo respirar, não haverá quotas e não ficaremos nem com um migrante”. O texto aprovado há duas semanas contém o argumento de que a divisão dos refugiados por quotas compulsórias “não tem em conta o princípio de subsidiariedade e não dá aos parlamentos nacionais a possibilidade de exprimir a sua opinião” em relação ao tema.

Viktor Orban HungriaDurante um fórum étnico realizado em Budapeste, ontem, o primeiro-ministro húngaro acusou a Alemanha e a Turquia de terem feito um “acordo secreto” para receber mais de 500 mil migrantes. Orbán considera que o acolhimento desse número de refugiados sírios representa uma “absurda coligação” europeia com os traficantes de seres humanos. O líder húngaro considerou a distribuição uma “obrigação”, alertando que a Hungria não pode aceitar “esta desagradável surpresa que aguarda os europeus”.

As críticas do governo da Hungria à política europeia acentuaram-se assim que estação de televisão belga RTL informou que Salah Abdeslam, alegado organizador dos últimos atentados de Paris, esteve em Budapeste no passado mês de Setembro. Segundo as explicações que János Lázár, ministro de Governo húngaro, deu à imprensa, durante esta manhã, Salah Abdeslam passou por uma estação ferroviária de Keleti, na capital do país. O fugitivo teria recrutado dois possíveis cúmplices que se tinham recusado identificar às autoridades e saiu do país com eles.

A Hungria viu as suas fronteiras encerradas pelos soviéticos há 59 anos atrás, passou de um regime fascista para um comunista assim que a Alemanha perdeu a Segunda Guerra Mundial e é dos países europeus com as mais recentes memórias de repressões. Ainda assim, Viktor Orbán tem-se mantido fiel à sua postura enquanto opositor ao acolhimento de refugiados, com a construção de barreiras físicas de arame. Milhares de pessoas são encaminhadas em autocarros para a fronteira com a Áustria ou procuram uma saída pela Croácia, que também não está disposta a receber mais migrantes e encaminha-os para a Eslovénia.

Descomplicador:

O Primeiro-Ministro húngaro, Viktor Órban, vai recorrer ao Tribunal de Justiça europeu para tentar evitar receber refugiados. Órban tem sido frontalmente contra as quotas de distribuição e garante que enquanto o seu executivo estiver no Governo, a Hungria não vai receber nenhum refugiado.

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Publicado por: Mariana Bandeira

22 anos, natural de Torres Vedras. Finalista de Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. Colaborou com o Oitava Colina e o seu gosto por política nasceu quando escolheu Ciência Política como disciplina no secundário

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