“Le choc”. Frente Nacional vence em seis regiões na primeira volta em França

Unanimidade dos títulos dos principais jornais franceses. “Le choc”, disseram o Le Figaro (direita conservadora) e o L’humanité (comunista). A Frente Nacional de Marine Le Pen conquistou o melhor resultado de sempre nas eleições regionais e lidera em seis das treze regiões francesas. A esquerda procura agora alianças para derrotar o partido de extrema-direita na segunda volta.

O partido liderado por Marine Le Pen conseguiu arrecadar entre 28% dos votos, ficando assim à frente do partido de Sarkozy, que conquistou 27% e do Partido Socialista com 23%. Contra as sondagens que indicavam a vitória em apenas três regiões, a Frente Nacional lidera agora em seis das regiões francesas.

Marine Le PenNo entanto, as eleições regionais em França têm obrigatoriamente uma segunda volta, que envolve todos os partidos com mais de 10% dos votos na primeira votação. A segunda volta está agendada para o dia 13 de Dezembro e até lá os partidos que perderam para a Frente Nacional estão a iniciar contactos para formar alianças por forma a evitar que o partido de Le Pen venha a liderar regiões em França.

O partido de Le Pen conquistou assim seis regiões, os Republicanos de Nicolas Sarkozy conquistaram quatro e o Partido Socialista de François Hollande conquistou apenas duas. Recorde-se que a campanha foi suspensa após os atentados em Paris, mas o discurso anti-europeu e anti-imigração de Marine Le Pen fez efeito no eleitorado francês.

Apesar das regiões francesas terem poderes administrativos limitados, que se cingem à gestão dos transportes, à politica ambiental e ao pessoal não docente dos estabelecimentos de ensino, a verdade é que os orçamentos são bastante elevados, com Marine Le Pen a poder gerir um orçamento superior a 3300 milhões anuais. Em Calais, onde se localiza um dos mais mediáticos campos de refugiados, Marine Le Pen teve mais de 50% dos votos.

Marine Le Pen: “É um resultado magnífico que nós recebemos com humildade”

Marine Le PenA líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, em reacção aos resultados da noite de ontem disse que o partido os recebe com “humildade”, acrescentando que a Frente Nacional é “o único partido verdadeiramente republicano porque defende a nação e a soberania”, mostrando-se satisfeita pelo resultado em Calais e pegando neste tema para dizer que o objectivo agora é “recuperar os subúrbios e o mundo rural”.

Já com os olhos postos na segunda volta, Marine Le Pen pediu aos eleitores para irem às urnas no dia 13 de Dezembro. Logo após ter tido conhecimento das primeiras sondagens, Le Pen reagiu na rede social Twitter, onde disse que a “Frente Nacional é o único partido que defende uma república cujo papel é preservar as nossas tradições”.

A estratégia da concorrência é agora formar alianças para impedir a vitória na segunda volta, mas esta linha foi já criticada pelo presidente do Senado, Gerard Larcher que disse que “nada seria pior do que alianças improváveis, explícitas ou implícitas, que submergem os franceses numa ainda maior confusão”.

O líder do Partido Socialista, Jean-Christophe Cambadélis admitiu já que o seu partido poderá desistir da segunda volta nas regiões em que sabe que não consegue ultrapassar a Frente Nacional.

O jornal britânico, The Guardian diz que as eleições regionais francesas alteraram o cenário politico no país e que a corrida para as presidenciais que vai decorrer no próximo ano será entre três partidos depois de “décadas de domínio dos socialistas e da direita moderada”.

Descomplicador:

A Frente Nacional surpreendeu tudo e todos ao vencer as eleições regionais e conquistar seis regiões, mais três do que o esperado nas sondagens. A segunda volta é assim um desafio aos partidos da esquerda que procuram formar alianças para derrotar Marine Le Pen. Em Calais, onde se localiza um dos maiores campos de refugiados em França, Le Pen conquistou mais de 50% dos votos.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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