Depois de Luaty, ativistas ameaçam nova greve de fome

“Deixemos de brincar aos países. Angola não é sua lavra e muito menos a sua quinta”. Estas são algumas das palavras dirigidas a José Eduardo dos Santos numa carta escrita e assinada pelos quinze ativistas angolanos que ameaçam fazer uma greve de fome coletiva, caso a audição dos elementos, em prisão preventiva desde junho, não termine esta semana.

“Nós já não nos deixamos embalar pelas cantigas infantis do seu regime”, lê-se na carta, divulgada hoje no site “Rede Angola”. E continuam: “caso não termine essa fase de interrogatório ao longo da semana de 7 a 11 de dezembro, negar-nos-emos a [estar] presentes no tribunal e levaremos a cabo uma greve de fome coletiva que culminará com a satisfação da nossa exigência”.

Luaty Beirão AngolaO grupo, de 17 jovens ao todo – dois estão em liberdade provisória –, está acusado da coautoria de atos preparatórios para uma rebelião e um atentado contra o presidente angolano, um crime que prevê liberdade provisória até ao julgamento e uma pena de até três anos de prisão.

O julgamento começou no dia 16 de novembro, no Tribunal Provincial de Luanda. Em quinze sessões diárias, apenas foram ouvidos nove dos dezassete réus.

“Temos testemunhado em primeira mão a sua interferência (de José Eduardo dos Santos) ao longo de todo o processo e particularmente agora, em plena sede de julgamento. Os seus homens disfarçam-se tão mal que se esquecem de remover da lapela dos fatos que envergam os timbres da presidência. Aparentemente, as suas ordens têm sido no sentido de prolongar indefinidamente as audiências”. Entre várias acusações, está precisamente esta – a de que elementos ligados à presidência já intervieram numa ou noutra ocorrência no tribunal, e foram reconhecidos pelos timbres metálicos na lapela dos fatos. Relatam ainda que, apesar de só ter sido permitida a presença da comunicação social no primeiro dia do julgamento, no início da segunda semana de audiências foram colocadas três câmaras de filmar profissionais na sala do tribunal, que pertenciam ao gabinete de comunicação e imagem da presidência, e que as imagens foram transmitidas em tempo real para pelo menos duas salas: uma com elementos ligados à presidência e outra com jornalistas. Os ativistas acusam também os serviços prisionais de terem usado “força excessiva” contra os detidos em diversas ocasiões, algumas das quais dentro do próprio tribunal.

Antes do início do julgamento, vários destes ativistas promoveram greves de fome como forma de protesto, contestando o que afirmavam ser o excesso de ilegalidades na prisão preventiva. O caso mais mediático foi o do rapper luso-angolano Luaty Beirão, que esteve sem comer durante 36 dias.

Descomplicador:

O grupo dos quinze ativistas angolanos do qual fazia parte o rapper Luaty Beirão ameaça fazer nova greve de fome, caso a audição dos elementos em tribunal não termine esta semana. Em declarações expressas numa carta enviada ao presidente de angola, José Eduardo dos Santos, o grupo diz que já não se deixa embalar pelas “cantigas infantis do regime”. O grupo, de 17 jovens ao todo – dois estão em liberdade provisória –, está acusado da coautoria de atos preparatórios para uma rebelião e um atentado contra o presidente angolano, um crime que prevê liberdade provisória até ao julgamento e uma pena de até três anos de prisão.

 

ymndmgmd@grandmasmail.com'
Publicado por: Rita Fernandes

Finalista do curso de jornalismo na Escola Superior de Comunicação, tem 20 anos e é natural de Lisboa. Não vive sem livros. Também redatora no site Espalha-Factos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *