Actualizado: Para Pacheco Pereira não se fecha a porta, mas abre-se – na mesma – uma janela

Já diz o ditado popular: “Quando se fecha uma porta, abre-se uma janela”. E foi isto, mais ou menos, o que aconteceu. Duarte Marques sugeriu que Pacheco Pereira abandonasse o PSD, pelo seu próprio pé, e uma janela abriu-se. Essa janela foi um lugar na administração da Fundação de Serralves.

O Estado tem direito a eleger dois dos nove lugares do Conselho de Administração da Fundação de Serralves. Os nomes foram Pacheco Pereira, conhecido historiador, comentador e estudioso, e Isabel Pires de Lima, ex-ministra da Cultura do tempo de José Sócrates. A escolhas do ministro da Cultura, João Soares, para ocupar estes dois cargos chegaram dias depois de Duarte Marques ter falado na televisão sobre as aparições de Pacheco Pereira nos comícios presidenciais de Sampaio da Nóvoa e de Marisa Matias. O ex-líder da juventude social-democrata disse que Pacheco Pereira já está há vários anos distante do partido e que se tem aproximado bastante da esquerda, acabando por convidar o historiador a sair do partido pelo seu próprio pé. Pacheco não saiu e a aproximação à esquerda voltou a ser apontada, com esta designação de um governo socialista.

José Pacheco PereiraForam várias as vozes que se manifestaram contra o comportamento de Pacheco Pereira. O comentador não lhes pareceu dar grande importância. Fez uso do seu blog pessoal, Abrupto, para se justificar: “Só aceitei por ser um lugar não remunerado”. E relembra que exerce cargos semelhantes no Conselho de Patronos do Museu Vieira da Silva/Arpad Szenes, do Conselho Consultivo do Museu do Aljube, e do Conselho-Geral da Universidade do Porto. Todos estes postos sem remuneração.

Ao Panorama, a coordenadora do CDS da Comissão Parlamentar de Cultura, Teresa Caeiro disse que os nomes apresentados são “nomes com credibilidade e curriculum necessário e adequado”, esperando assim que “a Fundação Serralves continue a ser a referência cultural para Portugal, tal como tem sido até agora”.

O deputado Tiago Ribeiro, presidente do PS Porto e deputado na Assembleia da República, realçou o valor destas duas nomeações: “o PS Porto destaca a opção por dois intelectuais portuenses com um percurso notável, traduzindo o alinhamento do Governo com uma política cultural ambiciosa, que valoriza as instituições e que respeita o Porto”.
O nome de Isabel Pires de Lima não ofereceu contestação; afinal, esta já integrou um governo socialista. A ex-ministra da Cultura nasceu a 17 de julho de 1952, no Porto, e é professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tendo-se especializado na obra de Eça de Queirós. Prata socialista numa casa portuense.

Já Pacheco Pereira parece ter dias difíceis pela frente. Este defende-se, dizendo que participar em debates da esquerda não é o mesmo que concordar com a esquerda. Irreverente como sempre; todos sabem que a posição natural do notável estudioso português é uma posição de controvérsia, discórdia e contestação com o actual rumo do Partido Social Democrata.

José Pacheco Pereira nasceu a 6 de janeiro 1949, no Porto, formando-se em Filosofia naquela mesma universidade, tendo sido professor, deputado e líder do grupo parlamentar do PSD. Foi, em 2005, condecorado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade atribuída pelo então Presidente da República Jorge Sampaio. É uma situação que gera a discórdia dentro da discórdia, mas que está longe de ser um obstáculo para uma das maiores figuras da cultura portuguesa no presente século de exercer um cargo que lhe permita contribuir para o que sempre estudou, a cultura.

Descomplicador:

Isabel Pires de Lima e Pacheco Pereira foram nomeados, pelo Estado, para a Administração da Fundação de Serralves. Enquanto o primeiro nome não mereceu qualquer contestação, o segundo está longe de poder dizer o mesmo. Após ter sido convidado a abandonar o PSD por si mesmo, Pacheco Pereira volta a ouvir várias críticas, desta feita por ser um militante social democrata a aceitar um cargo de um governo socialista.

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Publicado por: Tomás Gomes

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