Espanha pegou no exemplo português e…complicou-o

O cenário pós-eleitoral em Espanha é ainda mais complicado do que o que se verificou em Portugal. O Partido Popular (PP) liderado pelo Primeiro-Ministro, Mariano Rajoy, venceu as eleições mas longe da maioria absoluta. Pablo Iglesias está a ser dado como um dos grandes vencedores da noite, com o Podemos a superar os 20% dos votos e a ser tido como o responsável pelo fim do bipartidarismo.

Com 95% dos votos contados, o PP soma 122 deputados, o PSOE conta com 91 mandatos, o Podemos com 69 e o Ciudadanos com 40 mandatos, longe dos 50 apontados nas sondagens à boca das urnas. A abstenção é de 25%, um valor considerado elevado no território espanhol.

Pablo Iglesias - Podemos

Pablo Iglesias – Podemos

Mariano Rajoy tem assim vida difícil apesar de ter vencido as eleições, mas não reunindo condições para ser indigitado Primeiro-Ministro, com o PP, o PSOE, o Podemos e o Ciudadanos a terem que conversar entre si por forma a definir qual será nome que irá avançar como futuro Primeiro-Ministro espanhol.

Com os cenários que se antevêem, Espanha poderá ser o sexto país europeu cujo líder resulta de uma coligação de partidos que não venceram as eleições. Para além do exemplo português, esta situação ocorreu também na Estónia, na Bélgica, na Dinamarca e no Luxemburgo.

O responsável pela campanha do Podemos, Iñigo Errejón anunciou já o “fim do bipartidarismo” e a “mudança de Espanha” após o acto eleitoral de hoje. O Ciudadanos obteve o pior resultado entre os quatro partidos, para desilusão dos seus apoiantes, segundo relatos a partir da sede do partido, no entanto os responsáveis pelo partido mostram-se “contentes por representar um novo espaço politico em Espanha”. O partido de centro-direita diz estar a “multiplicar o resultado das eleições municipais”.

Quanto ao Partido Popular, apesar da vitória regista uma queda histórica face às eleições de 2011, perdendo mais de 16% dos votos registados há quatro anos atrás e somando o pior resultado desde 1989 com José Maria Aznar. Esta é também a primeira vez que o PSOE alcança menos de 100 deputados, baixando ainda face aos (maus) resultados de 2011.

O El Mundo aponta no seu simulador de coligações que o PP e o Ciudadanos somam 162 deputados, enquanto o PSOE e o Podemos somam 160 deputados, ou seja, uma simples coligação dos dois mais votados à esquerda ou dos dois mais votados à direita, não chega para alcançar a maioria, para a qual são necessários 176 deputados. Para estas contas entram então os partidos regionais, em especial na Catalunha que podem marcar a diferença para alcançar o número mínimo de deputados para alcançar o acordo necessário para investir o novo Primeiro-Ministro.

Esquerda portuguesa satisfeita com resultados

A esquerda portuguesa tem-se mostrado até ao momento satisfeita com as projecções indicadas. Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda deu os parabéns ao Podemos e a Pablo Iglesias, dizendo que “convosco a esperança faz o caminho para derrotar a austeridade”.

Rui Tavares, cabeça-de-lista pelo LIVRE nas legislativas deste ano, disse que “Espanha pode vir a ter uma maioria à Portuguesa, ou até um governo coligado à esquerda. Melhor notícia para eles, para nós e para a Europa”. Satisfeito está também Daniel Oliveira, que disse na sua página do Facebook que “o Podemos entra na política nacional espanhola com estrondo”, acrescentando que apesar de o futuro governo não ser “claro. O fim do passado em Espanha sim”.

Já o deputado social-democrata Duarte Marques registou que “em Espanha, tal como em Portugal, quem tirou o país da bancarrota ganhou as eleições”, mas lamentou que “lá, como cá, alguns dos derrotados assumir-se-ão como vencedores”.

Descomplicador:

Com mais de 95% dos votos apurados, o PP venceu as eleições mas não conquista a maioria absoluta. Os cenários eleitorais são imprevisíveis. PSOE e Podemos ou PP e Ciudadanos não conseguem maioria dos deputados. Os partidos regionais podem marcar a diferença na escolha do próximo Primeiro-Ministro.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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