As peças do xadrez politico espanhol começam a movimentar-se

Mais de 24h depois do acto eleitoral de Domingo em Espanha, as peças do complexo tabuleiro de xadrez da politica de “nuestros hermanos” começam a mexer-se. O líder do Partido Popular, Mariano Rajoy deu ontem ao final da tarde uma conferência de imprensa onde anunciou que iria começar os contactos com os restantes partidos com vista a formar governo.

Mariano RajoyO El Pais dá conta que Rajoy vai despender mais esforços sobretudo com o Ciudadanos de Alberto Rivera e com o PSOE de Pedro Sanchez, que são os partidos que “partilham os valores do PP”. Sem se referir directamente a estes dois partidos, Rajoy deixou essa situação vincada na conferência de imprensa, dando também a garantia de que até ao momento da conferência não tinha ainda contactado nenhum líder partidário.

Um pouco à semelhança do discurso ensaiado em Portugal por Passos Coelho e Paulo Portas, Mariano Rajoy disse que “a maioria dos espanhóis, apesar da fragmentação politica, escolheram partidos que defendem a ordem constitucional, a unidade de Espanha, a soberania nacional, a igualdade entre os espanhóis, o papel de Espanha nas relações externas e na luta contra o terrorismo”, num claro recado ao Podemos que deu já como garantido que não apoiará um governo de esquerdas sem um referendo à independência da Catalunha, vontade que viola frontalmente as intenções do PP.

Apesar da intenção de Mariano Rajoy de negociar com o PSOE, o partido liderado por Pedro Sanchez já garantiu que votará contra um governo liderado pelo ainda Primeiro-Ministro espanhol. Com o voto contra do PSOE, o PP não conseguirá fazer passar o seu executivo, ainda que o Ciudadanos se abstenha no congresso.

O Ciudadanos tem assumido nas últimas horas uma posição mais moderada, pedindo até ao PSOE que se abstenha na votação e que permita a Mariano Rajoy formar um governo minoritário, segundo avança o El Mundo. Albert Rivera pede a Pedro Sanchez que deixe a legislatura começar para que “a Espanha não se torne na Grécia onde de três em três meses se realizam eleições”.

albert riveraAlbert Rivera recusa que uma solução de futuro passe por Rajoy ou Sanchez, dizendo que entre um “governo com 11 partidos” ou Rajoy, prefere “um governo de minoria”. O líder do Ciudadanos pediu ao líder do PSOE para que “diga ao que venha” e se pretende tentar uma coligação de esquerda, juntando um conjunto alargado de partidos ou se está disponível para viabilizar o executivo de Rajoy.

O Podemos exige assim um referendo sobre a independência da Catalunha para negociar um governo à esquerda e apoia-se no facto de na região catalã terem sido eleitos 29 deputados a favor da independência e apenas 18 contra essa independência. Pablo Iglesias diz mesmo que “qualquer força política que não entenda a plurinacionalidade do nosso país está disposto a entregar o Governo ao PP”. De referir que na Catalunha o PP foi o partido menos votado, registando apenas 11,2%.

A imprensa espanhola, para além de um acordo entre vários partidos da esquerda aponta ainda como cenário alternativo uma coligação entre o PP e o Ciudadanos com a abstenção do PSOE. O El Mundo, que avança com esta alternativa, diz que esta hipótese é mais viável do que a união entre o PP e o PSOE, mas que teria de passar obrigatoriamente pelo afastamento de Mariano Rajoy e pela subida, por exemplo de Soraya Saenz Santamaria como líder do novo executivo.

Descomplicador:

Mais de 24h depois das eleições as primeiras peças do xadrez politico espanhol começam a mexer-se. Mariano Rajoy deu uma conferência de imprensa onde indirectamente disse ir negociar com o PSOE e com o Ciudadanos, partidos que “partilham os mesmos valores” do PP. Do Ciudadanos há um apelo para que se viabilize um governo minoritário e o PSOE analisa as possibilidades de uma grande coligação das esquerdas. Para já há apenas um denominador comum: toda a oposição recusa apoiar um executivo com Mariano Rajoy.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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