O fim do bipartidarismo em Espanha

Em Espanha, as urnas fecharam, os votos foram contados, mas ainda é completamente incerto quem formará governo. Este facto é sustentado pelo fim do bipartidarismo de PP e PSOE em Espanha. Nunca o terceiro e quarto partido – nestas eleições, Podemos e Ciudadanos, respetivamente – tinham tido tantos votos.

Pedro Sanchez Mariano Rajoy EspanhaO partido mais votado foi o PP de Mariano Rajoy, atual líder do governo espanhol, que poderá renovar o mandato se conseguir formar governo, missão árdua que agora lhe compete. Apesar de ter sido o mais votado, é, desde sempre, o vencedor com menos percentagem de votos, com apenas 28.6% do sufrágio.

Desde as primeiras eleições livres em Espanha, em 1979, que sempre houve dois partidos capazes de representar pelo menos 65% dos votos. Já no séc. XXI, nas eleições de 2004, PP e PSOE arrecadaram 80% dos votos, em 2008 conseguiram 83%, e em 2011, 73% do total dos votos dos espanhóis. Hoje, por pouco não chegam à metade do eleitorado. Eram a única coligação maioritária matematicamente possível entre dois partidos… mas tudo indica que não irá acontecer.

Quem claramente roubou votos foram o Podemos e o Ciudadanos, partidos novos, a concorrer pela primeira vez nas eleições legislativas, contra o ‘arco da governação’ e os sucessivos governos ao longo de décadas. O Podemos, à esquerda, com abertura para a independência da Catalunha, conquistou 20.7% dos eleitores, enquanto o Ciudadanos, partido representante do eleitorado considerado do centro, entre o PSOE e o PP, descontente com os escândalos de corrupção e com o status quo destes dois partidos, alcançou 13.9% dos votos.

Novamente, quem perde são os tradicionais PP e PSOE. Os socialistas passaram de 28.8% em 2011 para os atuais 22%, enquanto o PP passou de ter 44.6% dos votos para escassos 28.7%, comparativamente, perdendo cerca de 3 milhões de votos, embora continue a ser o partido mais votado.

Uma coisa é certa: o jogo a dois acabou, o tango agora dança-se a quatro. Ou até a mais.

Compete a Rajoy a função de formar governo, embora outras soluções, talvez até mais possíveis, se vislumbrem à Esquerda. (Familiar?). O líder do PSOE, Pedro Sánchez, já mostrou abertura a um possível acordo com o Podemos e com pequenos partidos de Esquerda (que podem ter uma palavra a dizer), mas conta com forte oposição no interior do partido. Além disso, existem posições contraditórias em relação à autodeterminação das regiões autónomas espanholas entre os partidos de Esquerda.

Uma aliança entre PSOE e PP parece, no entanto, impossível de se concretizar, com Sánchez a dizer que não viabilizará um governo do PP. Apesar de algumas semelhanças com a realidade política em Portugal, há uma grande diferença legal: caso não haja governo em 2 meses, o Rei é obrigado a convocar novas eleições. Assim, Mariano Rajoy, Pedro Sánchez, Pablo Iglesias, Albert Rivera e outros têm até 23 de março para chegarem a um acordo. Caso contrário, voltam às urnas.

Descomplicador:

PP e PSOE podem muito bem estar a assistir ao fim do seu bipartidarismo em Espanha, tendo só alcançado 50% do eleitorado nas urnas a 20 de dezembro. Por outro lado, partidos que concorrem pela primeira vez às eleições legislativas, o Podemos (à Esquerda) e o Ciudadanos (ao Centro) alcançam, respetivamente, 20% e 13% dos votos. São eles quem tiram votos aos tradicionais dois partidos e é por eles que vai ter de passar uma solução governativa.

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Publicado por: Ricardo Farinha

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