Porque é que o meu candidato é melhor que os outros

Conheci o Professor Sampaio da Nóvoa, então Reitor, era eu Presidente da Associação Académica da Universidade de Lisboa.

Tivemos sempre uma relação institucional. Um dirigente associativo tem uma missão, que é a de representar estudantes. E para a cumprir, deve guardar sempre uma distância saudável na relação com os seus interlocutores principais, de modo a preservar a independência da sua ação: nunca se sabe que tipo de posições será obrigado a tomar no futuro contra o Reitor.

Ao longo do meu mandato, que terminou pouco depois da sua saída, pude observar o modo como liderou o processo de fusão, como geria os consensos e os egos universitários e como envolvia no processo de decisão estudantes e funcionários.

Sampaio da Nóvoa 2É, sem dúvida, um homem extraordinário: na inteligência com que lida com as sensibilidades de cada um; na humildade com que escuta todos, colegas, alunos ou funcionários; na humanidade com que encara os temas da ação social; na honestidade com que aborda cada conversa, nunca se desviando, nunca fugindo, nunca fechando uma porta a ninguém.

Enquanto Reitor foi, na Universidade de Lisboa, a mais acessível de todas as pessoas.

Revelava um sentido de coisa pública, de missão pública, em tudo o que fazia. E isso inspirava os que o rodeavam a fazer o mesmo.

Mais tarde, no verão de 2013, já sem qualquer ligação institucional entre nós, disse-lhe que me desiludia profundamente a política em Portugal. Demasiadas tricas, demasiados interesses privados, demasiadas cunhas.

Concordou comigo mas acrescentou: “E, no entanto, vai ser preciso agarrar neste país e mobilizar gente nova para os tempos difíceis que já chegaram e que vão continuar”.

Foi um prenúncio, sei-o agora, de uma decisão, dificílima a nível pessoal, que tomou no início deste ano: candidatar-se a Presidente da República.

Eu, que vejo nele as melhores qualidades de liderança – sabedoria, humildade, retidão e capacidade de comunicação – e conheço os seus princípios liberais e humanistas, não tenho qualquer dúvida de que é a pessoa ideal para o cargo.

É-o por si, independentemente do adversário. E é-o face aos outros, por ser melhor que todos eles.

Baseio estas duas asserções nos seguintes pontos:

1 – É o candidato da Liberdade. O valor que mais preza. Podia ser o da Independência, no sentido de que não depende de nenhum partido. Mas é sobretudo de Liberdade que aqui falo: ao contrário dos adversários diretos, não está vinculado aos regulamentos de nenhum partido, não tem favores políticos por pagar nem os vícios de um sistema que todos reconhecem extremamente corrompido. Marcelo e Belém, enquanto candidatos, não são apenas a antítese da independência e são livres apenas e só na medida em que os compromissos e as amizades políticas que fizeram no passado não lhes venham bater à porta durante o mandato.

2 – É o candidato do Progresso e da Igualdade. “Ah, isso são todos!”. Não são. Ser pela Igualdade e pelo Progresso é reconhecer que as famílias de hoje em dia não são nem têm que ser iguais às do passado. É reconhecer que o feminismo não é só uma causa das mulheres. É lutar contra os preconceitos.

Não é defender, como a ex-Ministra da Igualdade Maria de Belém (v. aqui), “um novo instituto jurídico —que poderíamos inclusive designar por “casamento homossexual” —sem que este implicasse a redefinição do conceito histórico-jurídico de casamento atualmente plasmado no artigo 1577.º do Código Civil e que, assim, se manteria inalterado”. Igualdade é igualdade, não é uma coisa parecida mas paralela, diferente, “para não sujar”.7

Não é o combate de Marcelo Rebelo de Sousa contra a despenalização do aborto, imortalizada pelos Gato Fedorento (v. aqui) em 2007 mas que já se prolongava desde o seu mandato como Presidente do PSD, em que o partido que liderava votou contra um projeto de lei que permitia o aborto em caso de violação ou em caso de malformação do feto.

Sampaio da Nóvoa não é, como os seus concorrentes diretos, um conservador, um “guardião da moral e dos bons costumes dos nossos avós”. Por essa razão, é também o candidato mais moderno, mais fresco, mais perto daquilo que é o tendencial progressismo da juventude.

Sampaio da Nóvoa

3 – É o candidato com mais mundo. Sampaio da Nóvoa viveu em vários países com culturas diferentes, da Suíça, aos Estados Unidos, a França, ao Brasil. Escolheu a profissão de Professor, exerceu-a em grandes Universidades internacionais e é amplamente reconhecido na sua área. Exerceu o cargo de Reitor durante 7 anos numa das maiores Universidades de Lisboa e fê-lo exemplarmente, deixando uma obra feita – o nascimento da maior Universidade do país – que será recordada por anos e anos.

Um Reitor é um gestor, um executivo. Chamasse-se o cargo CEO e calar-se-iam muitas críticas. Mas é precisamente essa a natureza primordial da função; aliás, em muitas universidades estrangeiras, são gestores de formação, e não professores, a exercer o cargo. E ele fê-lo brilhantemente, ninguém o nega, demonstrando ser não só o que Pensa, mas também o que Faz. Nem Marcelo nem Belém – apesar da experiência política – lhe levam vantagem em experiência de vida, de mundo e de obra feita.

4 – É o candidato da transparência. Apresentou-se a tempo, com tudo na mesa. Diziam que era só de chavões. Apresentou um manifesto, concretizado, com um entendimento claro dos poderes presidenciais e com as suas prioridades no mandato. Debateu ideias pelo país todo. Disse de onde vinha, o que fez e o que quer fazer. No seu site, toda esta informação é pública. Dos outros, sabemos o que sabíamos.

No site de Maria de Belém, ainda procurei –para aqui a contrapor e discutir – uma ideia – uma só – que orientasse a sua candidatura. Um princípio, uma motivação, um desígnio. Mau grado. Nada. Apresenta-se com o que é, com o que fez. Em dezembro de 2006, quando era presidente da Comissão Parlamentar de Saúde, foi contratada como consultora pela empresa Espírito Santo Saúde. Afirmou então que considerava não existir incompatibilidade entre as duas funções. Perguntou-lhe um jornalista há pouco se não achava que se aplicava ali a adágio da mulher de César. Achou que não. Eu acho que sim. Diz que é séria, mas não faz por parecer.

Marcelo permanece fiel à sua estratégia: quanto menos disser, quanto menos se repetir, quanto menos se submeter ao escrutínio, melhor. E como a imprensa colabora, subserviente, aqui continuamos, sem saber mais do que o que disse na sua apresentação: que veio cumprir o seu “dever moral de pagar a Portugal o que Portugal me deu”. Assim como pagou sempre, disse-o há pouco, as férias na casa de verão de Ricardo Salgado. Pelo ar da mansão, saiu-lhe cara a amizade.

Sampaio da Nóvoa

5 – É o candidato do futuro. A mais nenhum se ouve, como a ele, falar de educação, de ciência, de inovação e da necessidade de traduzir esses pilares em benefícios para a economia do país. A mais nenhum se ouve falar do mar e da língua como pilares estratégicos do futuro, ou da cultura e da cidadania como prioridades de mandato.

São estas, defende, as bases com que Portugal vai construir um “Tempo Novo”.

E é esse tempo novo que eu acredito que ele pode trazer ao país. Um tempo onde se ultrapasse – finalmente – esta ideia de que a política não presta por causa dos políticos de sempre, mas que só os políticos de sempre é que podem fazer política. Merecemos bem mais que isso.

 

Publicado por: João Marecos

Advogado estagiário. Ex-Presidente da Associação Académica da Universidade de Lisboa. Global Shaper

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *