Paulo Portas deixa liderança do CDS: as reacções dos centristas

Parece ser desta vez que será definitivo. Paulo Portas vai deixar a liderança do CDS depois de a ter ocupado de 1998 a 2005 e de 2007 até agora. O líder centrista anunciou a decisão na reunião da Comissão Politica Nacional, o órgão executivo do CDS, abrindo assim caminho à sua sucessão. Em Janeiro será marcado um Conselho Nacional para definir os detalhes sobre o congresso que deverá decorrer até Abril.

Paulo PortasA saída de um dos líderes partidários mais duradouros em Portugal, apenas abaixo de Álvaro Cunhal, provocou da esquerda à direita inúmeras reacções. Os vários sectores e tendências do CDS fizeram-se já ouvir, entre eles o antecessor de Portas, José Ribeiro e Castro que não apoia “a forma como o partido está a ser conduzido, mas creio que o presidente do partido tem a responsabilidade, a obrigação de conduzir o partido no ciclo político que já se iniciou, não pode virar costas e ir-se embora”.

Para Ribeiro e Castro, Paulo Portas devia ter agendado o congresso para o primeiro trimestre de 2015 por forma a marcar assim o inicio de um novo ciclo politico, tal como chegou a dizer ao Panorama e não faz sentido que com o ciclo politico já em “velocidade de cruzeiro, se vá embora”.

O líder da corrente de oposição interna do CDS, Filipe Anacoreta Correia, que nesta legislatura chegou a integrar o Parlamento, disse que a saída do actual presidente é um sinal de “maturidade politica” e que “faz isto com certeza porque compreende que é um momento pessoal, mas também porque entende que isso vai ao encontro do interesse do país e do partido”.

Para já Anacoreta Correia, que lidera o Movimento Alternativa e Responsabilidade diz que é “cedo” para falar sobre uma candidatura sua mas avisa que este momento “deve ser visto como uma oportunidade no partido”. Caso Paulo Portas abdique do lugar de deputado, Filipe Anacoreta Correia regressa ao Parlamento no seu lugar.

Quanto ao processo de sucessão propriamente dito, Hélder Amaral e Filipe Lobo D’Ávila foram dois dos dirigentes que pediram mais calma aos militantes centristas. Hélder Amaral, vice-presidente da bancada parlamentar disse que a saída de Paulo Portas deve ser encarada com “serenidade e tranquilidade” e disse que “o Parlamento não deve ser um palco de disputas”, criticando a estratégia de “dar palco” a um conjunto de figuras de futuro para o partido.

Hélder Amaral disse ter sido “uma enorme honra, privilégio e mesmo sorte ser dirigente, militante e deputado sob a liderança do doutor Paulo Portas que é um dos maiores políticos europeus e o melhor líder que o CDS já teve”, mas acrescentando que agora é “tempo dos militantes do partido que devem estar gratos mas devem pensar no futuro, com bom senso e serenidade”. Para Hélder Amaral não faz sentido alterar o modo de funcionamento do partido no Parlamento, dizendo que na “ausência do presidente deve ser o líder parlamentar a assumir os debates quinzenais com o Primeiro-Ministro”.

Filipe Lobo D’Ávila, porta-voz do CDS, ausente no estrangeiro disse que “apesar de descontente com a decisão” a respeita, mas afirmou que “quem decide as lideranças do CDS são os seus militantes. Não são os seus Politburos”, para além de ter dito que no CDS “não há herdeiros legítimos nem há uma qualquer short list deixada pelas lideranças cessantes”, garantindo assim que o próximo presidente tem de ter “vontade, projecto e equipa”.

O ex-Secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, disse ao Diário Económico que “se o CDS não souber renovar-se com abertura nem actualizar-se com pragmatismo e sensatez, corre o risco de perder relevância”. Mesquita Nunes apela ainda a que o congresso “não se perca em crises de identidade ou em concursos ideológicos que dizem muito pouco às pessoas a quem pedimos o voto”, pedindo “pragmatismo, sensatez e propostas concretas”.

João Almeida, apontado como um dos nomes de futuro, disse apenas “obrigado Paulo”, dizendo ter saído de uma “Comissão Politica Nacional histórica”. Nuno Melo disse que Paulo Portas é “o melhor de todos” e agradeceu também ao líder os anos em que presidiu ao CDS.

Descomplicador:

Paulo Portas anunciou ontem a sua saída da liderança do CDS e vários dirigentes e destacados militantes centristas têm publicado mensagens ao longo das últimas horas. Ribeiro e Castro critica o momento da saída e o líder da oposição interna diz que se abre uma janela de oportunidade. A maioria dos dirigentes apela agora à calma e ao bom senso.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *