48h depois: A saída de Paulo Portas

A saída de Paulo Portas agitou não só o CDS como todo o espectro politico nacional. Se poucas horas depois do anúncio já se multiplicavam as reacções e as intenções, 48h depois da reunião da Comissão Politica Nacional existem novos dados e novas opiniões. O Panorama resume todas as actualizações.

O aviso de Portas a Passos

Paulo Portas não quis repetir a inconsistência da coligação que se verificou nalguns pontos da legislatura entre 2011 e 2015 e antes do Natal avisou Pedro Passos Coelho que o seu “prazo de validade” seria 2017, data em que se retiraria da vida politica activa.

A ideia de Paulo Portas era assumir novamente o lugar de Vice-Primeiro-Ministro e sair ao fim de dois anos abrindo espaço a novas figuras no partido, no entanto, com a conjectura politica surpreendente que se verificou, Paulo Portas entendeu antecipar a saída, antecipando assim também o ciclo politico de enfrentar a união das esquerdas.

Passos PortasO agradecimento de Passos a Portas

E se no passado também nem sempre a agulha orientadora da coligação apontou para o mesmo lado, desde que foi assumido o renovar da coligação que Pedro Passos Coelho e Paulo Portas mostraram outro entendimento em publico.

Na hora da despedida, Pedro Passos Coelho lembrou Paulo Portas como um “líder politico carismático”, destacando o “papel muito destacado” que teve no exercício de funções governativas e partidárias. Para Passos Coelho, Portugal fica a dever a Paulo Portas “uma intervenção muito destacada e competente”.

Quanto ao futuro do partido, Pedro Passos Coelho considera que “o CDS-PP encontrará, tenho a certeza, um novo caminho de liderança”, destacando ainda o facto de o CDS ser “um partido fundamental à democracia portuguesa” e “um parceiro privilegiado do PSD”, apontando Paulo Portas como “um dos principais responsáveis por Portugal e os portugueses terem conseguido recuperar a credibilidade e a confiança”.

“Isto não é uma despedida”

Um dos nomes mais fieis a Paulo Portas, António Pires de Lima, disse em entrevista à Agência Lusa que “Paulo Portas é um animal político” e que a sua saída do CDS não é “uma despedida da política”, mas sim “uma despedida da liderança partidária e da vida partidária enquanto líder do CDS-PP”, acreditando que “Paulo Portas é uma pessoa jovem e que ainda tem muito a dar à vida pública do país”.

Pires de Lima considera ainda que a sua saída “deixa uma sensação de desconforto”. Sem falar de candidatos futuros, nem de preferências sobre os nomes veiculados entretanto, António Pires de Lima preferiu falar do legado deixado por Paulo Portas, entre eles “uma equipa com grande qualidade, uma geração de políticos mais jovens com enorme qualidade”.

O ex-Ministro da Economia acha ainda que “com as presidências de Paulo Portas, o CDS-PP passou a ser um partido relevante, que esteve duas vezes no governo”, destacando a última vez em que completou uma “legislatura que aliás permitiu que Portugal saísse da assistência financeira e retomasse a trajectória de crescimento”.

João Almeida clarifica a sua posição

João AlmeidaEntretanto um dos nomes que integra a lista de hipotéticos candidatos à liderança do partido, o ex-presidente da Juventude Popular e ex-Secretário de Estado da Administração Interna, publicou uma nota na sua página do Facebook onde começa por explicar que “como não gosto de tabus, prefiro falar no tempo certo, pela minha voz” e agradecendo “as manifestações de apoio que recebi para que essa candidatura avançasse”.

João Almeida começa por clarificar que “o próximo Congresso do CDS não se limitará a escolher a sucessão de Paulo Portas. Estou certo de que para isso há pessoas com vontade de concorrer e indiscutível capacidade para exercer o cargo. Terei todo gosto e empenho em trabalhar com quem o partido escolher”, mas que será especialmente relevante para “reflectir e tomar decisões sobre a sua organização, estratégia e programa político”.

Assim o presidente honorário da Juventude Popular disponibiliza-se para reunir as ideias da moção que apresentou em 2014 “Fazer Diferente” numa nova Moção de Estratégia Global. O dirigente centrista considera assim que “num momento em que o CDS saiu de uma coligação de 4 anos e em que teve a mesma liderança em 16 dos últimos 18 anos, vai ser preciso fazer em 2016 o que Paulo Portas fez em 1997: abrir um novo caminho e fazer diferente”.

O futuro de Paulo Portas

Entretanto uma das questões que se começa a levantar é sobre o futuro de Paulo Portas. Há quem o aponte ao lugar de Marcelo Rebelo de Sousa, seja a curto prazo na TVI seja a longo prazo numa candidatura a Presidente da Republica, mas para já, segundo avança o Diário de Noticias, o ainda presidente do CDS deverá dedicar-se à área empresarial em especial na área editorial.

Para além da vertente empresarial, Paulo Portas dedicará também o seu tempo à gestão dos bens da família, tendo como vantagem a rede de contactos que fez ao longo dos últimos quatro anos, com especial incidência na diplomacia económica.

Helena Sacadura Cabral aplaude

Helena Sacadura CabralQuem ficou feliz com a decisão de Paulo Portas foi a mãe, Helena Sacadura Cabral. Num texto publicado na sua página do Facebook, a economista e escritora lamentou a “mágoa” que tem por ter na vida partidária dois filhos (um deles já falecido, Miguel Portas), lembrando que “essa via os impediria de terem uma vida familiar feliz. Um decidiu, sem sucesso, experimenta-la. O outro não”.

Helena Sacadura Cabral fala mesmo do caso de Miguel Portas, dizendo que “quando olho os meus netos penso como teria sido bom que eles tivessem podido ter conhecido melhor o pai deles e como isso, na altura, lhes fez tanta falta e tanto os teria enriquecido” e lamentando que Miguel Portas tenha percebido tal situação “tarde demais, apesar de, nos dois últimos anos do seu caminho, ter tentado superar-se nesse campo”.

A economista e escritora mostra-se assim feliz por “Deus me ter compensado e permitido que, em vida, eu pudesse ter esse conforto”, acrescentando que “hoje pude passar um dia tranquilo, sem ler ou ouvir as barbaridades de ódio que, por certo se terão dito, no meio de alguns elogios que, acredito, outros possam ter feito. Esse é o mundo da política. Que, espero, passados uns meses, já não faça mais parte do meu”, diz em jeito de conclusão.

Descomplicador:

48h depois do anúncio de Paulo Portas sobre a liderança do CDS, as reacções e as movimentações multiplicaram-se. Passos Coelho reconheceu o importante papel de Portas ao longo dos últimos quatro anos, António Pires de Lima garantiu que Portas está “politicamente vivo” e João Almeida refreou para já as movimentações que o apontavam como candidato. Por fim, Helena Sacadura Cabral, mãe de Paulo Portas, aplaude a decisão.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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