A figura do ano: António Costa

Se o muro caiu é cedo para o dizer. Mas mais pequeno está com toda a certeza. António Costa conseguiu em poucos dias surpreendeu todos os protagonistas políticos portugueses ao conseguir firmar um acordo entre o Partido Comunista Português, os Verdes e o Bloco de Esquerda, transformando-se assim no Primeiro-Ministro português apesar da derrota eleitoral a 4 de Outubro.

Já na noite de dia 4 de Outubro, António Costa tinha surpreendido a oposição e alguns sectores do PS ao ficar na liderança do partido apesar de ter perdido as eleições face à coligação Portugal à Frente (PaF), apontada como derrotada desde o inicio e sobre a qual caíram todas as suspeitas sobre as sondagens que lhes iam atribuindo a vitória.

No entanto as eleições legislativas não acabaram como era “tradição”, na noite de 4 de Outubro, mas sim meses depois com a tomada de posse do XXII governo constitucional liderado por António Costa. Confuso? A verdade é que Portugal aplicou pela primeira vez na sua plenitude a sua Constituição, deixando a direita de boca aberta e uma parte da esquerda de igual forma.

António Costa

António Costa não teve problemas em explicar que quem ganha é que tem o maior número de deputados e firmou assim acordos parlamentares com a outra grande surpresa das eleições, o Bloco de Esquerda, renascido das “cinzas” e o PCP.

O Secretário-Geral do PS garantiu já o lugar na história da nossa vida politica ao pôr fim aos 40 anos em que os partidos da esquerda estiveram de costas voltadas. Para os que defendem a estratégia, este acordo pode marcar o inicio de uma nova era da politica nacional, onde o PCP e o Bloco de Esquerda contribuem para soluções construtivas e de governo, para a oposição esta é uma “geringonça” que tem ainda muito a provar.

Se o acordo deu já alguns sinais de “independência excessiva”, com o chumbo do orçamento rectificativo por parte do Bloco, ou com as criticas de Edgar Silva, candidato do PCP ao governo socialista, bem como as criticas de ambos à solução na Petrogal, também é verdade que não se podia/pode esperar do PS, PCP e BE a mesma união com que se viu o PSD e o CDS pós-“caso do irrevogável”.

Para já António Costa conquistou o respeito dos que duvidaram da sua capacidade de firmar este acordo, mas também daqueles que o acusaram de querer salvar a sua vida politica. Salvou, para já. Mas este acordo da esquerda já é mais do que a vida politica de António Costa, é sobre a tão afamada “recuperação económica e social, as exportações e o crescimento do emprego e a estabilidade da banca”. As prioridades estão traçadas, e em caso de falhanço, Pedro Passos Coelho está à espreita…

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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