Os 10 anos de Cavaco Silva resumidos em discursos de Ano Novo

Aníbal Cavaco Silva começou o seu mandato de Presidente da Republica em Março de 2006 e nove anos depois proferiu ontem o seu último discurso de Ano Novo enquanto chefe de estado português. O Panorama foi recordar a primeira mensagem de ano novo de Cavaco Silva e a deste ano e comparou o que foi feito e o que ficou por fazer nos dois mandatos da máxima figura do estado.

Em 2007, José Sócrates era Primeiro-Ministro há 21 meses e o país encontrava-se num clima de crescimento que se prolongou até à crise de 2008, que resultou três anos depois na derrota do líder socialista nas urnas. Assim no inicio de 2007, Cavaco Silva abordou questões como o elevado preço do petróleo e das taxas de juro, que hoje se encontram substancialmente mais reduzidas.

Cavaco SilvaA necessidade de “consolidar o crescimento económico” foi um dos destaques da comunicação de Cavaco Silva, que disse também ser essencial que o ano ficasse “marcado por uma recuperação do investimento”, para além do “esforço de reequilíbrio das finanças públicas”, mas sempre com a preocupação em “actuar por forma a preservar a coesão social e a solidariedade para com os que mais precisam”.

Em 2007, Portugal iria liderar a Comissão Europeia durante um semestre, uma oportunidade que no entender do Presidente da Republica devia servir como alavanca para “progressos claros em, pelo menos, três grandes domínios da nossa vida colectiva: desenvolvimento económico, educação e justiça”.

Cavaco Silva entendia ainda que o ano de 2007 era “crucial” para o país, que não podia “falhar as metas” que se propunha atingir.

Em 2016, depois de quatro anos de Passos Coelho e poucos meses de António Costa como Primeiro-Ministro, o cenário é mais abstracto para o ex-Primeiro-Ministro e agora Presidente da Republica. Cavaco Silva diz que “olhamos o futuro sem saber o que este nos trará – a nós, às nossas famílias, ao nosso País” e que este é “um tempo de incerteza“, onde a prioridade deve ser “defender o modelo político, económico e social que, ao longo de décadas, nos trouxe paz, desenvolvimento e justiça”.

Nesta sua última mensagem de Ano Novo, Cavaco Silva recordou “iniciativas nos mais variados domínios de actividade: a Ciência, a Juventude, o Património Histórico-Cultural, as Comunidades Locais Inovadoras, a Economia Dinâmica, as Florestas, a Pesca” e espera que Portugal renove “o contrato de confiança entre todos os Portugueses, aquilo que constitui a maior razão para acreditarmos num futuro melhor, para nós e para os nossos filhos”.

A educação

A educação foi na comparação das duas mensagens um dos poucos objectivos cumpridos ao longo dos dois mandatos de Cavaco Silva. Em 2006 na primeira mensagem de Ano Novo que dirigiu ao país, Cavaco Silva disse que “temos de afirmar as nossas competências e provar que compreendemos o mundo complexo de que fazemos parte” e que a prioridade deviam ser as “políticas activas para valorizar a escola e estimular os jovens a prosseguir os seus estudos”.

Agora em 2016, Cavaco Silva mostra-se muito satisfeito pelos “jovens cientistas e investigadores de excelência, empreendedores económicos, sociais e culturais, dirigentes associativos, instituições de solidariedade e voluntários, artistas e criativos talentosos” que existem no país, acrescentando que “é este imenso Portugal que se afirma no presente e se projecta no futuro de uma forma extraordinária”.

Cavaco SilvaA inclusão e a justiça social

Uma das áreas referidas tanto em 2007 como em 2016 é a inclusão e a justiça social, prova de que em dez anos, Cavaco Silva não atingiu certamente os níveis que desejaria quando começou o seu primeiro mandato. Em 2007, Aníbal Cavaco Silva queria “mais emprego, mais justiça social e melhores condições de vida”, tendo como prioridade do seu mandato “lançar as sementes de uma sociedade mais justa, solidária e inclusiva”.

Na mensagem proferida ontem, Cavaco Silva reforçou a vontade em “construir em conjunto um país melhor e mais solidário, com mais justiça social”, recordando que em 2006 “o primeiro Roteiro que lancei foi dedicado à Inclusão Social”.

O estado e as empresas

Outro dos desígnios de Cavaco Silva foi o papel do estado nas empresas e na vida dos empresários. Em 2006, o Presidente da Republica pedia que o estado não fosse “um obstáculo”, mas sim que tivesse um papel de “favorecer a competitividade das empresas”.

Agora, em 2016, o chefe de estado pede “que o estado crie condições para que possam desenvolver o seu trabalho e, depois, que os poderes públicos não estabeleçam entraves à sua actividade”. Também neste capitulo Portugal não se desenvolveu à medida dos objectivos de Cavaco Silva, que após dez anos de mandato repete a mensagem inicial.

A esperança

A esperança é uma mensagem comum também ao longo dos mandatos de Cavaco Silva. Em 2007, Cavaco Silva dizia que “este é um tempo de esperança” e em 2016, embora com menos entusiasmo, a figura mais importante do estado relembra que “encaramos sempre o Ano Novo com um sentimento de esperança”.

Descomplicador:

Cavaco Silva proferiu a primeira mensagem de Ano Novo em 2006 e nove anos depois profere a última ao longo de dois mandatos que totalizam dez anos. A educação foi uma das poucas áreas onde o Presidente da Republica se mostra satisfeito, repetindo os mesmos desejos em áreas como a inclusão social, a relação entre o estado e as empresas, entre outras.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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