David Cameron dá liberdade de escolha aos ministros sobre a União Europeia

A partir de Fevereiro os ministros do executivo liderado por David Cameron estão autorizados a fazer campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia. David Cameron deu liberdade de escolha ao seu executivo, apesar de ser um dos principais defensores da manutenção do Reino Unido no projecto europeu. Ao Panorama, Filipe Santos Henriques diz que este é “uma posição de fraqueza“.

David CameronO referendo sobre o Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia vai decorrer em 2017, mas o executivo liderado por David Cameron já revelou opiniões divergentes. Segundo o El País, “os ministros estarão isentos de qualquer responsabilidade colectiva”, sendo esta a forma que Cameron encontrou para que não exista uma debandada no seu executivo.

Ao Panorama, Filipe Santos Henriques, ex-dirigente do LIVRE, estudante de Ciência Politica e uma das figuras politicas mais influentes do Twitter em Portugal, explica que “os membros de um partido tenham liberdade de voto em relação às posições do seu partido é algo óbvio. Que os deputados possam votar diferente da posição da direcção do partido é algo que no Reino Unido é regra e que também o devia ser noutros sítios”, mas afirma que “os membros do governo se oponham publicamente ao trabalho do governo, numa área tão chave como é esta, é uma clara demonstração de derrota de Cameron”.

David Cameron é apesar desta “liberdade de voto” na questão europeia, um dos maiores defensores da manutenção do Reino Unido no projecto europeu, mas segundo um conjunto de condições como a restrição dos benefícios económicos atribuídos aos imigrantes e da criação de uma regulamentação das medidas económicas no mercado europeu, uma proposta que tem como objectivo fazer frente a países como a Índia e a China.

Segundo Filipe Henriques esta é uma “consequência” da própria acção dos Conservadores de David Cameron, que “forçaram esta renegociação e o referendo, devido às suas divisões internas e para entrar no discurso anti-europeu do UKIP” e com benefícios claros para o próprio UKIP que “que fica mais forte“, tendo do outro lado, “Liberais, Trabalhistas e os progressistas Escoceses e Galeses que querem continuar na União Europeia“.

Neste apoio à saída do Reino Unido do projecto europeu podem estar os ministros do Trabalho e das Pensões, da Irlanda do Norte e o líder da Câmara dos Comuns. Do lado de David Cameron estão a Ministra do Interior e o presidente da Câmara de Londres.

É preciso não deixar Cameron sozinho na discussão do futuro da UE

Europa União EuropeiaPara Filipe Santos Henriques, “o que está agora em cima da mesa é uma renegociação entre David Cameron e os chefes de estado e governo dos restantes estados-membros, e isso é que pode pôr em causa o projecto europeu e é isso que devemos discutir”, diz o estudante de Ciência Politica, que enquanto dirigente do LIVRE esteve ligado à vertente internacional do partido.

A preocupação de futuro deve ser assim a de “não deixar Cameron sozinho na discussão do futuro da UE”, devendo a União Europeia “fazer uma discussão alargada sobre a reforma que a UE precisa” e que procure “simplificar a UE para duas velocidades, com um centro, de que Portugal deve fazer parte, com base no federalismo democrático, e um estatuto de estados associados para estados, como o Reino Unido, que possam não querer dar esse passo”, uma ideia que é defendida pelos Ministros dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido e da Itália.

Descomplicador:

David Cameron, Primeiro-Ministro britânico deu liberdade aos seus ministros para defenderem a saída do Reino Unido do projecto europeu, apesar de ser um dos maiores defensores. Ao Panorama, Filipe Santos Henriques diz que “é uma clara demonstração de derrota de Cameron”, alertando ainda para a necessidade de uma “simplificação da União Europeia”.

 

 

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *