Esquerda vs Esquerda e Direita vs Direita animam sexto dia de debates

Marisa Matias e Edgar Silva e Marcelo Rebelo de Sousa e Paulo Morais protagonizaram o sexto dia dos debates presidenciais. De um lado a esquerda frente-a-frente, do outro dois militantes do PSD, embora uns acusem Marcelo Rebelo de Sousa de fugir à doutrina e o outro tenha já deixado o partido pelo qual foi vereador na Câmara do Porto. Em ambos, alguma crispação e tentativas de distanciamento.

Marisa MatiasEdgar Silva, candidato apoiado pelo PCP e Marisa Matias, candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda procuraram neste frente-a-frente marcar pontos de discórdia que justifiquem o voto quer num quer noutro. Numa pré-campanha onde se ouviu já tanta vez a expressão “concordo consigo”, neste debate esta expressão ficou à porta, com um dos momentos a ser protagonizado por Edgar Silva quando hesitou em apelidar a Coreia do Norte uma ditadura, enquanto Marisa Matias a qualificou prontamente.

Marisa Matias apontou ainda o dedo a Edgar Silva por admitir viabilizar o Orçamento Rectificativo que possibilitou o resgate do Banif, com Edgar Silva a acusar a candidata bloquista de “ignorância constitucional” ao admitir que não colocaria a sua assinatura no orçamento viabilizado pelo PS e PSD. Também na questão do Euro, Edgar Silva disse ser a favor da preparação do país para a saída da moeda única, ao contrário do Bloco de Esquerda que não coloca já essa hipótese.

Paulo Morais diz que Marcelo é o “herdeiro do regime”

Paulo MoraisNo debate frente a Paulo Morais, Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou para anunciar a criação de um conselho de ética que poderia ser constituído “por exemplo por ex-presidentes da Assembleia da Republica como Jaime Gama ou Mota Amaral”. Esta comissão teria como objectivo analisar as incompatibilidades dos deputados e complementando assim a comissão de ética actual que verifica apenas as questões legais mas não a “ética dentro da lei”.

Paulo Morais acusou neste frente-a-frente com o principal favorito à vitória nas presidenciais de ser o “herdeiro do regime”, acrescentando que embora o considere “materialmente sério”, Marcelo “não quer levantar ondas na política portuguesa”, apelidando-o também de “desdramatizador” da politica nacional.

O ex-vereador da Câmara do Porto num dos mandatos de Rui Rio disse também que a “estabilidade proposta por Marcelo Rebelo de Sousa é inimiga da evolução da sociedade”. Paulo Morais questionou ainda Marcelo se ponderava ficar dez anos na Presidência da Republica, mas o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS disse que pensar nisso era “pôr a carroça à frente dos bois”.

Paulo Morais disse ainda neste debate que consigo “o estado português vai tratar de ajudar qualquer família que queira recuperar os corpos de militares mortos no estrangeiro”, acrescentando que “Portugal não pode abandonar os seus mortos” e que “é importante que todos os portugueses saibam que estão sempre protegidos pela sua nação”.

Descomplicador:

No sexto dia de debates, Marisa Matias esteve frente-a-frente com Edgar Silva e Marcelo Rebelo de Sousa com Paulo Morais. Os dois militantes da esquerda e os dois militantes da direita, embora um já não o seja, procuraram distanciar-se uns dos outros numa noite com momentos de tensão, em especial na ala esquerda.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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